A indústria e o fundo do poço

Esta terça-feira pode trazer um fato raro — uma boa notícia para a indústria brasileira. Mas não espere grandes avanços. As coisas estão tão ruins que o setor está comemorando até bola na trave. Em 2014, a queda da produção industrial medida pelo IBGE foi de 3,2%. Em 2015, de 8,3%. Este ano, a coisa estava piorando ainda mais. Em fevereiro (no último resultado divulgado), o índice caiu 2,5% em relação ao mês anterior, a maior queda desde o começo da crise atual.

No resultado que o IBGE divulga hoje, a história deve começar a mudar. De acordo com consultorias ouvidas por EXAME, a produção industrial de março deve crescer entre 1% e 1,8% em relação a fevereiro – o maior valor desde julho de 2014. Na comparação com março de 2015, a queda deve ficar ao redor dos 10%. Entre os indicativos de que a atividade industrial aumentou estão a o crescimento da produção de veículos e da produção de embalagens de papelão. Segundo empresários, o arrefecimento da inflação e as pequenas mudanças no cenário político também ajudam a trazer novos ares para o setor.

“Esses índices estão melhorando, ou pelo menos parando de piorar”, diz Fernando Sampaio, diretor de macroeconomia da consultoria LCA. “Mas a retomada da indústria não será rápida”, diz. De acordo com a consultoria Go Associados, a previsão é de que a produção industrial caia 7,9% em 2016. A partir de 2017, a indústria deve voltar a crescer.

A princípio, a mudança de governo não tem tanto impacto nesse cenário. “Se o governo reduzir a incerteza política do país, isso pode afetar a confiança do consumidor e do empresário, o que seria positivo para a indústria. Mas não é certo que isso aconteça”, diz Fernando Sampaio. Mesmo que um novo governo venha a tomar medidas para aumentar o ânimo da indústria, como ajustar a política fiscal, demoraria alguns meses até que isso fosse sentido na prática. De qualquer forma, a perspectiva de que o fundo do poço chegou, para a indústria brasileira, é sinal de alívio.