A economia ainda patina

Nesta sexta-feira o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, de janeiro deve confirmar que o início de ano foi pior do que se esperava. Ontem, os dados do IBGE já haviam surpreendido ao mostrar que o varejo teve um desempenho fraco em janeiro: queda de 0,7% na comparação com dezembro e recuo de dolorosos 7% na comparação anual.

A expectativa de economistas é que o IBC-Br mostre uma retração de 0,2% na comparação com dezembro e de 0,3% na comparação anual. “Os números já divulgados mostram que o primeiro trimestre não vai ser tão positivo quanto se esperava, com indicadores como serviços e indústria não mostrando avanços”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

A produção industrial caiu 0,1% em janeiro, na comparação com dezembro, enquanto o setor de serviços recuou 2,2% na mesma base de comparação. Economistas seguem à espera da retomada dos investimentos para impulsionar a economia, mas, por enquanto, números importantes como a capacidade ociosa na indústria continuam em alta. Nem os recursos liberados de contas inativas do FGTS devem trazer um grande impacto econômico. Segundo pesquisa conduzida da Fundação Getúlio Vargas apenas 9,6% do valor sacado será usado para novo consumo sendo que a maioria (41,2%) será usado para quitar dívidas. A esperança para este primeiro semestre continua sendo a agricultura. A supersafra de grãos deve ser 22% maior neste ano.

A previsão do governo é de crescimento de 0,5% do PIB em 2017, ante expectativa anterior de avanço de 1%. A redução tem obrigado o governo a um malabarismo orçamentário. Caso a economia continue a decepcionar, o desafio de fechar as contas será ainda maior, o que deve aumentar a pressão por aumentos de impostos. O IBC-Br de hoje é, portanto, fundamental.