6 dados da semana que revelaram o estado da economia em 2017

Com a divulgação de vários indicadores, a última semana deu uma ideia mais clara de como foi o ano que passou para a economia brasileira

São Paulo – A semana que passou deu uma ideia mais clara de como foi 2017 para a economia brasileira.

O crescimento final do PIB só será conhecido no dia 01 de março, mas o que foi divulgado até agora já torna possível montar um panorama do ano.

Veja a seguir:

Geração de empregos: terceiro ano no vermelho, mas melhorando o ritmo

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho foi divulgado na sexta-feira (26) e registrou saldo negativo de 20.832 postos de trabalho formais em 2017.

Foi o terceiro ano seguido no vermelho, com destaque negativo para construção civil e indústria da transformação e destaque positivo para comércio, agropecuária e serviços.

Mas houve uma melhora relevante em relação aos anos anteriores: o saldo negativo foi de 1,5 milhão de empregos em 2015 e de 1,3 milhão em 2016.

O fechamento líquido de 328.539 postos em dezembro assusta, mas foi menor do que o projetado em pesquisa da Reuters. Também representa a melhor marca em uma década para o mês, que é tradicionalmente negativo.

Um panorama mais claro do desemprego poderá ser feito em breve: o IBGE divulga a PNAD Contínua de dezembro na próxima quarta-feira (31) e os números consolidados do 4º trimestre no dia 23 de fevereiro.

Reajustes salariais: um ano bem melhor do que o anterior

Um sinal mais positivo do mercado de trabalho em 2017 aparece nos reajustes salariais de trabalhadores, de acordo com relatório da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

O número de acordos coletivos entre empresas e trabalhadores que resultaram em redução de jornada e de salários caiu 65% de um ano para o outro (de 390 em 2016 para 137 em 2017).

A porcentagem dos acertos que conseguiram ganhos acima da inflação subiu de 27% em 2016 para 79% em 2017.

Investimento direto: o pior ano desde 2013

O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 70,332 bilhões em 2017, informou nesta sexta-feira, (26) o Banco Central, no piso das estimativas apuradas pelo Projeções Broadcast.

O número caiu em relação aos US$ 78 bilhões de 2016 e representa, por uma pequena margem, o menor valor anual desde 2013, quando o total de investimento ficou em US$ 69,6 bilhões.

A projeção do BC é que o número em 2018 suba para US$ 80 bilhões, mas as decisões dependem muito da evolução do quadro eleitoral ao longo do ano.

Dívida pública: alta relevante e recorde histórico

A dívida pública federal subiu 14,3% e chegou aos 3,559 trilhões de reais em 2017, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (25).

É um recorde histórico e a previsão do Tesouro é que a trajetória siga em alta, atingindo um patamar entre R$ 3,78 trilhões e R$ 3,98 trilhões no final de 2018.

Déficit em transações em conta corrente: o melhor resultado em uma década

A conta de transações corrente, que pode ser positiva (superávit) ou negativa (déficit), engloba a balança comercial (exportações e importações) e a de serviços (que incluem remessas e recebimentos de juros e lucros, além gastos de brasileiros no exterior e de estrangeiros no Brasil, entre outras transações).

O resultado no Brasil em 2017 foi de déficit de 9,762 bilhões de dólares, equivalente a 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central divulgados na sexta-feira (26).

Foi o melhor desempenho desde 2007, quando houve superávit de 408 milhões de dólares. O resultado foi puxado pelo superávit recorde da balança comercial e deixa as contas externas menos vulneráveis.

Mas devido a fatores como a recente apreciação do Real e o próprio aquecimento da economia, a expectativa do Goldman Sachs é que o déficit suba para um “ainda moderado” 1,4% do PIB em 2018.

Arrecadação federal: a primeira alta real desde 2013

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 1,342 trilhão em 2017, um aumento real (já descontada a inflação) de 0,59% na comparação com o arrecadado em 2016.

Foi o maior valor anual desde 2015 e a primeira alta real desde 2013, uma boa notícia para as perspectivas fiscais do governo.

“Para 2018, a expectativa é que resultado positivo para a arrecadação continue. E posso dizer? Em janeiro está muito bom”, adiantou o chefe do centro de estudos tributários e aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, para o Estadão Conteúdo.