40 anos depois de inaugurado, qual é o futuro do polo de Camaçari?

Por onde quer que se olhe, o polo de Camaçari é um gigante aos 40 anos de idade. Mas seu modelo tem fôlego para mais 40?

Camaçari, Bahia – Um quinto do PIB (Produto Interno Bruto) e quase um terço das exportações da Bahia, 90 empresas em operação, 15 mil empregos diretos e 30 mil indiretos, 1 bilhão de reais em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e 15 bilhões de dólares em faturamento anual.

Por onde quer que se olhe, o polo de Camaçari é um gigante aos 40 anos de idade. Mas seu modelo tem fôlego para mais 40?

Este foi o debate realizado no fórum “Desafios Competitivos do Polo Industrial de Camaçari”, realizado nesta quinta-feira (05) no Teatro da Cidade do Saber em Camaçari.

Inaugurado em 1978 no governo de Ernesto Geisel, durante a ditadura militar, o polo surgiu como parte da estratégia de substituição de importações, no caso de produtos químicos básicos.

Nos anos 90, vieram os desafios da automação e especialmente da abertura de mercado, realizada pelos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso e que aumentou a competição externa.

No novo século, a transição de um modelo petroquímico para um modelo multissetorial foi marcada pela chegada da Ford em 2001.

A primeira montadora do polo já superou a marca de 3 milhões de carros produzidos em Camaçari, sede de um dos únicos 8 centros de engenharia da empresa no mundo.

Exemplos mais recentes são as chegada da Basf, da Kimberly Clark e de uma nova fábrica da Boticário, assim como o desenvolvimento do setor de equipamentos para energia eólica.

“Os últimos 10 anos foram muito interessantes. O sistema viário foi modificado, a questão do ICMS foi equalizada e algumas parcerias viabilizaram investimentos que não haviam vindo nos 10 ou 15 anos anteriores”, disse Paulo Guimarães, superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia.

Desafios

Parte dos desafios citados pelos palestrantes não é tão diferente daqueles enfrentados pelo resto do país: como a baixa competitividade, provada pela colocação baixa em todos os rankings internacionais.

“Não basta melhoremos em relação a nós mesmos, é preciso melhorar mais do que nossos competidores”, resumiu Flávio Castelo Branco, gerente executivo de políticas econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Ele destacou a perda de importância da indústria na economia brasileira, um fenômeno comum e relativamente natural na medida que as economias avançam, mas que se acentuou aqui por fatores como valorização cambial e o famoso custo Brasil.

No setor petroquímico em específico, as reclamações foram centradas no preço e na garantia de abastecimento dos insumos básicos, como gás natural e nafta.

“Temos problemas sérios de competitividade do setor, que vão desde os contratos inseguros para fornecimento de matéria prima até energia cara, tributação excessiva e insegurança jurídica”, disse Marcos Antônio de Marchi, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Entre os principais gargalos do polo de Camaçari em específico está a logística: o porto mais próximo é o de Aratu, com capacidade insuficiente, e o escoamento da produção depende do modal rodoviário.

Falta uma ferrovia, mas um estudo para um ramal entre o Porto, Feira de Santana e Iaçu estima o custo em quase meio bilhão de dólares.

Waldir Freitas, secretário de Desenvolvimento Econômico de Camaçari, destacou algumas iniciativas do município.

Elas incluem parcerias educacionais para formação de mão-de-obra qualificada, outro gargalo importante e que tende a piorar em um mundo de indústria 4.0 cada vez mais regida pela inovação.

Ele também citou parcerias ambientais, que garantem um diferencial de atratividade em relação a outros centros de produção, e o potencial de áreas como turismo, que cresce em média 8% ao ano com ajuda da beleza das praias da região.

“A vida começa aos 40”, brincou o vice-prefeito José Tude.