2014 foi decepcionante para crescimento, diz Banco Mundial

O presidente do Banco Mundial disse que este ano foi decepcionante quanto ao crescimento, mas não desastroso

Cairns – O presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim, disse nesta sexta-feira na Austrália que este ano foi “decepcionante” quanto ao crescimento econômico, mas “não desastroso”, e se mostrou preocupado pela incerteza geral na Europa, Japão e Brasil.

“Foi outro ano decepcionante. Em algum momento nossas projeções de crescimento eram de 3,2% em nível global e agora são de 2,7%”, comentou Jim Yong Kim em um debate em Sydney prévio à reunião de ministros de Economia e governadores dos bancos centrais que começa no sábado na cidade australiana de Cairns.

Jim destacou a melhora na economia americana, que registra um crescimento contínuo de seus indicadores, mas por outro lado disse que “a Europa ainda preocupa muito”, apesar de parecer que os países do sul do continente se estabilizaram.

“Acho que há preocupações em torno da deflação e há muita incerteza, em parte devido à crise na Ucrânia e Rússia”, apontou Jim, que acrescentou que se piorar as tensões, “seu impacto poderá ser muito maior”.

Com relação ao Japão, o presidente do BM assinalou que o governo fez grandes esforços para encaminhar o país no caminho do crescimento mediante suas três iniciativas econômicas, embora pôs em dúvida a eficácia da implementação da última.

“Não temos certeza de que a terceira seja chave e que o crescimento do Japão leve ao que todos esperavam. Ainda há muitas incertezas”, contou o chefe da citada entidade internacional.

Por outro lado, Jim indicou que muitos países de renda média apresentam incertezas, ao mencionar a desaceleração da economia do Brasil, e por sua vez pediu aos líderes da China, que cresce de forma estável em 7,5%, a se concentrar nas reformas.

Jim defendeu a atuação combinada de crescimento econômico e criação do emprego, particularmente entre as mulheres e os marginalizados como uma fórmula para derrotar a pobreza.

Neste contexto, o especialista lembrou que o BM tem como objetivo acabar com a extrema pobreza para o ano 2030, um objetivo que precisa para se alcançar “a prosperidade compartilhada” e o aumento dos ingressos de 40% da população mais desavantajada dos países em vias de desenvolvimento.

O presidente do BM participará neste fim de semana em Cairns, no nordeste australiano, da reunião realizada pelos ministros de Economia e os governadores dos bancos centrais dos países- membros do G20 e convidados, preparatória da cúpula do grupo em novembro, também na Austrália.

O G20 se comprometeu em fevereiro a impulsionar o crescimento mundial em 2% acima das previsões até 2018, mas as previsões de crescimento puseram dúvidas sobre o cumprimento deste objetivo.