16,8 milhões de brasileiros não gostariam de trabalhar

Número aumentou 37,7% nos últimos 12 anos, o que pode ajudar a explicar o desemprego baixo no país

São Paulo – Está aumentando no Brasil o número de pessoas em idade economicamente ativa que não gostariam de trabalhar, de acordo com números divulgados hoje pelo IBGE.

Em janeiro de 2002, quando começou a série histórica, havia 12,2 milhões de brasileiros nesta situação nas 6 regiões metropolitanas pesquisadas.

Em janeiro de 2014, este número subiu para 16,8 milhões – um crescimento de 37,7% em 12 anos.

Esta pode ser uma das chaves para entender porque a desaceleração na criação de vagas formais não está causando um desemprego maior no país.

A taxa de janeiro ficou em 4,8% – um aumento em relação a dezembro, mas o menor número para o mês na série histórica.

“Você não tem uma procura por trabalho tão expressiva, da mesma forma que você não tem uma dispensa muito grande”, explicou Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, para a Agência Estado.

A taxa de desemprego expressa a proporção de pessoas que procuraram emprego mas não encontraram. Se elas não estão procurando, não entram na estatística.

O motivo para não ir atrás de um emprego pode ser de várias naturezas. Se o mercado não parece aquecido, a pessoa já desiste antes de tentar. Ao mesmo tempo, pode estar preferindo focar em melhorar sua educação formal. 

Dados da OIT (Organização Mundial do Trabalho), no entanto, mostram que um em cada 5 jovens brasileiros não estudam nem trabalham – os chamados “nem-nems”.

Para Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Data Popular, este jovem é “fruto direto de problemas de política pública das mais diferentes esferas” – como a falta de creches, que torna mais difícil para mulheres com filhos participarem do mercado de trabalho.