11 possíveis estopins para a próxima crise financeira

Este é o tema de um relatório recente do Deutsche Bank, que admite que timing e origem podem surpreender mas lista possibilidades

São Paulo – De onde virá a próxima crise financeira?

Este é o tema de um relatório recente do banco Deutsche Bank, que admite que timing e origem podem surpreender mas lista 11 possibilidades.

Veja quais são elas:

1 – O grande relaxamento dos bancos centrais

Desde a crise financeira, mais de US$ 10 trilhões foram adicionados ao balanço dos 4 maiores bancos centrais. É quase o tamanho da economia da China, e isso sem falar no que aconteceu em outros lugares.

A situação não tem qualquer precedente histórico então é impossível prever o que pode acontecer na medida em que é revertida, ainda mais com altas de juros (que estão negativos em muitos lugares, o que também é uma anomalia).

2 – Estaremos sem alternativas quando a próxima recessão chegar?

“Se tivermos uma recessão em breve, ficaremos perto de ficar sem munição dado que os bancos centrais continuam no limite de juro zero ou perto dele, com vários ainda comprando muitos ativos?

Com a dívida do governo disparando desde a última recessão, políticos poderão agir tão agressivamente quanto necessário?”, pergunta o relatório.

3 – E se a inflação continuar decepcionando?

Apesar dos fortes estímulos e da volta do crescimento (ainda que medíocre), os bancos centrais dos países desenvolvidos seguem penando para elevar a inflação para perto de suas metas, que costumam girar em 2%.

Se a situação continuar, pode ser necessária uma nova rodada de estímulos, algo que atualmente está no radar de muito pouca gente.

4 – Itália

“Um país que se aproxima de uma eleição com alto apoio a um partido populista, com uma economia rodando abaixo do potencial por gerações, um enorme fardo de dívida comparativamente, e um sistema bancário frágil que continua tendo que lidar com o legado de dívidas tóxicas cumpre uma série de requisitos de ingredientes para uma potencial próxima crise financeira”, diz o relatório.

5 – Uma crise da China

No caso da China, o problema é que o crédito fácil e um sistema financeiro paralelo levaram a dívida total não-financeira de 160% do PIB em 2008 para 260% do PIB atualmente.

O objetivo de tanta alavancagem é manter os níveis de crescimento, algo que o país tem conseguido por enquanto, mas o FMI já alertou que isso nunca acabou bem.

6 – Os desequilíbrios globais seguem elevados

Enquanto países como Alemanha e China tem enormes superávits em conta corrente (poupam muito mais do que consomem), outros como Estados Unidos e Reino Unido estão na situação diametralmente oposta (consumindo muito mais do que poupam).

É um equilíbrio frágil, pois exige que grandes fluxos atravesses fronteiras para manter o status quo, tornando o sistema mais suscetível a crises já que cada país controla menos sua própria economia.

7 – A ascensão do populismo

Nos últimos 15 meses, dois eventos balançaram a política e os mercados globais: a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia.

Se movimentos nacionalistas e/ou personalistas continuarem ganhando força, alguns pilares da ordem global podem ficar vulneráveis, assim como sua arquitetura financeira.

8 – Preços inflados de ativos sucumbindo à gravidade

Estamos em um período em que os ativos globais estão extremamente altos na comparação histórica com retornos e PIB, por exemplo.

“Apesar de não haver nenhum gatilho óbvio para estas valorizações historicamente altas serem corrigidos, enquanto elas continuarem tão altas sempre haverá o risco de uma correção súbita que pode desestabilizar um sistema financeiro e uma economia global que parecem precisar de preços tão altos”, diz o relatório.

9 – Japão

O DB já avisa que qualquer alerta atual sobre a possibilidade do Japão disparar uma crise financeira será inevitavelmente muito parecido com qualquer outro escrito na última década.

O país tem uma população em queda e muito envelhecida, a maior relação dívida/PIB do mundo desenvolvido e inflação quase inexistente.

Some a isso a recente expansão do balanço do banco central japonês e o cenário não é nada confortável, apesar de ser difícil vislumbrar qual seria a faísca problemática que transformaria isso em uma crise total.

10 – Brexit

O Brexit pode gerar uma crise se os dois ex-parceiros não conseguirem chegar a tempo em um acordo de como será sua relação pós-divórcio. Segundo o DB, isso pode ter implicações até de segurança.

O fluxo financeiro europeu hoje passa em grande parte por Londres, e mesmo com um período de transição não será possível se preparar para toda e qualquer eventualidade.

11 – (Falta de) liquidez no mercado financeiro

Ninguém sabe se o mercado resistiria a níveis significativos de saídas de recursos, mas o banco nota que isso mais provavelmente intensificaria uma crise já existente ao invés de ser a sua razão primordial.