Watson: um cérebro eletrônico que pensa como você

São Paulo - Para este Watson, ao contrário do médico parceiro de Sherlock Holmes, nada é 'elementar”, afinal ele realiza as tarefas mais complexas e responde as dúvidas...

São Paulo – Para este Watson, ao contrário do médico parceiro de Sherlock Holmes, nada é “elementar”, afinal ele realiza as tarefas mais complexas e responde as dúvidas mais difíceis processando volumes astronômicos de informação num piscar de olhos.

Os cientistas da IBM centraram boa parte dos recursos na chamada “computação cognitiva”, “uma nova era na informática com máquinas que podem aprender, imitando algumas das funções do cérebro humano e que poderão ajudar a descobrir coisas novas”, explicou Mark Ritter, diretor da divisão de análise e processo da IBM Research.

Um dos primeiros exemplos desta nova tecnologia é Watson, batizado em homenagem ao fundador da multinacional IBM, um potente computador.

Em 2011, Watson venceu os dois melhores jogadores de um programa de perguntas famoso na TV americana chamado Jeopardy “respondendo corretamente, e em segundos, perguntas formuladas em linguagem coloquial em que havia duplo sentido, ambiguidade, ironia e jogos de palavras, algo que nenhuma máquina havia conseguido até então”, se orgulha o diretor da IBM Research.

São bilhões de operações por segundo, graças aos 2.880 núcleos de processador, 15 terabytes de memória RAM, baseado na arquitetura do multiprocessador Power7, que usa a tecnologia DeepQA, um sistema de inteligência artificial que responde a perguntas sobre qualquer domínio do conhecimento, divulgou a revista “Sinc”.

Segundo Antonio de Orbe, da IBM Espanha, Watson usa um software com mais de cem algoritmos que funcionam simultaneamente para analisar uma pergunta de diferentes formas, gerando centenas de possíveis soluções. Outro grupo de instruções do Watson realiza um ranking dessas respostas, de acordo com verossimilhança, e “se um bom número de algoritmos, trabalhando em diferentes direções, chega à mesma resposta, é mais provável que seja a correta”.

“Watson produz um enorme número de possibilidades e depois as classifica, avaliando qual delas é a melhor, de uma forma similar à mente humana. O sistema também é capaz de aprender com seus erros e averiguar quais algoritmos funcionam melhor para determinado tipo de perguntas”, explicou Antonio.

De acordo com o especialista, “o computador é capaz de analisar imensas quantidades de dados não estruturados de uma forma excepcionalmente rápida. O protótipo que venceu no Jeopardy analisou um milhão de livros, o equivalente a 200 milhões de páginas, em três segundos”.

Desde a estreia na televisão, Watson melhorou em 240% seu rendimento e “emagreceu” 75%, deixando de ocupar o espaço de um quarto duplo para o equivalente a 4 caixas de pizza.

“Watson é um marco tecnológico da IBM, ao vencer no Jeopardy os dois melhores participantes da história, Ken Jennings e Brad Rutter, tão histórico como o dia em que o computador Deep Blue venceu o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov em 1997”, comparou Antonio.

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Perguntando a Watson – “O sistema sabe analisar, entender e achar correlações dos dados de uma maneira muito inovadora e ao contrário dos sistemas convencionais, Watson é capaz de trabalhar com informação não estruturada, como uma conversa, um artigo científico ou dados vindos da internet e de redes sociais”, afirmou Antonio.

Atualmente, pesquisadores da IBM trabalham para que Watson possa, no futuro, manter um diálogo interativo, desenvolver perfis das evidências achadas e estabelecer uma aprendizagem constante baseado em sua própria experiência.

O computador já é aplicado para melhorar o diagnóstico em oncologia e em operações do setor financeiro. E está colaborando com universidades americanas para desenvolver aplicações deste sistema nas áreas de transporte, telecomunicações, energia, distribuição e setor público.

Uma de suas aplicações mais recentes é Watson Engagement Advisor, sistema que auxilia profissionais de atendimento ao cliente, fornecendo a informação mais rápido do que nunca e aproveitando as capacidades de Watson de captar as matizes da linguagem natural, entender as perguntas de forma similar a como pensam as pessoas e selecionar a melhor resposta possível entre uma enorme quantidade de dados.

Watson estará acessível através da “nuvem” e em chats online, e poderá chegar aos computadores, smartphones e tablets dos consumidores que, através do aplicativo “Ask Watson”, poderão ter suas perguntas respondidas, receber ajuda nas decisões de compra e até resolver seus problemas.

A rapidez de “Ask Watson” nas respostas evitará que o consumidor tenha que fazer buscas em fóruns ou sofra longas esperas no telefone para conseguir a informação que precisa, explica a companhia.

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Novo assistente para os médicos – “O mais relevante em Watson são suas aplicações, por enquanto, centradas no setor financeiro, na saúde, na gestão de clientes e em como é possível ajudar a melhorar a vida das pessoas e tornar as empresas mais competitivas”, disse Antonio.

As primeiras aplicações comerciais deste sistema estão na área da saúde, já que em fevereiro de 2013, “a IBM, junto com a companhia de saúde Wellpoint e o hospital Memorial Sloan-Kettering Cancer Centers, anunciaram os primeiros produtos comerciais baseados em Watson”, informou a empresa.

“Estas inovações foram projetadas para ajudar médicos, pesquisadores, hospitais e seguradoras, destinadas a melhorar os cuidados da saúde, são um grande passo nos diagnósticos, já que os profissionais podem utilizar tecnologias de análise de dados combinadas com conhecimento clínico para encontrar evidências médicas”, explicou Antonio.

“O banco ANZ Banking Group vê em Watson um assistente que ajudará os profissionais que assessoram clientes da área de gestão de patrimônios para oferecer melhores recomendações, e a empresa de análise de mercado Nielsen está estudando como utilizar Watson para ajudar as agências de publicidade a melhorar os planos de mídia”.

“O desenvolvimento tecnológico está deslocando o controle da relação comercial para o consumidor, que graças à internet, está mais informado, é mais exigente e espera poder se relacionar com as empresas quando e como desejar, através de meios físicos, digitais e móveis”, assinalou Antonio.

“Contar com tecnologias como Watson, que aprende a cada interação com o cliente e é capaz de dar a informação exata em tempo real, ajudará as empresas a dar ao consumidor um serviço mais individualizado para que ele se sinta único”, antecipou Antonio.