Uso da fusão nuclear para produzir energia está mais próximo

Cientistas americanos acabam de dar um importante passo rumo à produção de energia por fusão nuclear

São Paulo — Cientistas americanos acabam de atingir um ponto de virada nas pesquisas sobre fusão nuclear. Pela primeira vez, eles construíram um reator de fusão que consegue produzir mais energia do que consome.

O marco é importante, já que pesquisas vêm sendo feitas há décadas para atingi-lo. Desde que a primeira bomba termonuclear (também chamada bomba de hidrogênio ou bomba H) foi detonada, há mais de 60 anos, há gente tentando usar esse processo para produzir energia.

Na fusão nuclear, dois átomos leves se unem formando outro mais pesado e liberando enorme quantidade de energia. É oposto da fissão, o processo empregado nos reatores nucleares atuais, em que um átomo pesado se divide em dois, liberando energia.  

A fusão ocorre de forma continuada no Sol e em outras estrelas. Produzir energia com ela, porém, envolve imensos desafios. 

Os cientistas americanos fizeram seu experimento no National Ignition Facility, uma central de raios laser de alta intensidade que é parte do Lawrence Livermore, laboratório na Califórnia especializado em armas nucleares.

Os pesquisadores colocaram uma diminuta quantidade de trítio e deutério, dois isótopos de hidrogênio, numa cápsula do tamanho de uma tampinha de caneta. 192 potentes feixes de raio laser ultravioleta são usados para bombardear esse “combustível”. 


A energia fornecida pelos lasers é suficiente para fazer os átomos de hidrogênio se fundirem, produzindo átomos de hélio. A energia liberada é superior àquela que chega até a cápsula, algo inédito nesse tipo de experimento.

Omar Hurricane, que lidera a pesquisa, diz, num comunicado, que o mais animador é que o ganho de energia aumenta cada vez que eles elevam a intensidade do processo, o que tem sido feito gradualmente. 

Mas ainda se gasta mais energia para acionar os lasers do que se obtém do processo de fusão, já que uma parte da energia dos lasers é perdida. O desafio, agora, é atingir o que os físicos chamam de ponto de ignição, aquele em que o processo é capaz de se autossustentar.

“Há muito trabalho a fazer e diversos problemas que têm de ser resolvidos antes de concluirmos a pesquisa”, diz Hurricane. “Mas nossa equipe está abordando todos eles.”