NASA registra rara explosão de cometa

O telescópio TESS conseguiu capturar imagens da explosão do cometa Wirtanen, que ocorreu no final de 2018

São Paulo – Em 2018, o projeto Transiting Exoplanet Survey Satellite – também conhecido como TESS -, conseguiu fazer algo que raramente é visto: enquanto a agência espacial dos Estados Unidos NASA utilizava o projeto para caçar planetas escondidos, o TESS conseguiu capturar a explosão de um cometa.

O projeto de telescópio espacial, que ficou fixo em um local do céu por cerca de um mês, capturou imagens de todo o evento da explosão, do começo ao fim. Quando o cometa, chamado Wirtanen, explodiu, foi possível identificar que ele havia lançado poeira, gelo e gás para todo o cosmos.

Os cometas, que flutuam em uma região distante do Sistema Solar, podem ser presos pela gravidade dos corpos celestes, fazendo com que se aproximem de região Solar. Assim, eles se tornam mais ativos e permitem que o calor do Sol vaporize sua superfície gelada, que faz com que sejam arrastados por uma cauda gasosa. De vez em quando, porém, os cometas se queimam de forma espontânea, de forma que se torna difícil prever o que pode acontecer.

Tony Farnham, principal autor da pesquisa, disse que a prioridade do TESS era conseguir capturar imagens de cometas que se aproximassem do Sol: “Quando os cometas orbitam o Sol, eles podem passar pelo campo de visão de TESS. Wirtanen era uma alta prioridade para nós por causa de sua abordagem próxima no final de 2018, por isso decidimos usar sua aparência nas imagens TESS como um caso de teste para ver o que poderíamos obter com isso”, disse Farnham em nota.

O cometa explodiu no dia 26 de setembro de 2018, e durou pelo menos 20 dias. O TESS consegue capturar uma foto a cada meia hora e, portanto, foi capaz de registrar toda a sequência dos acontecimentos. A explosão inicial aconteceu em duas etapas: a primeira foto foi tirada após uma hora, e as próximas 8 horas foram registradas gradualmente. A equipe criou uma animação dos primeiros três dias de explosão:

Em um estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters, a equipe calculou quanto material foi ejetado na explosão. Os cálculos resultaram em cerca de 1 milhão de quilos, o que é capaz de criar uma cratera na superfície do cometa. Além disso, também capturaram a trilha deixada pela poeira – algo nunca feito antes. Diferentemente de uma cauda gasosa normal, a trilha de poeira contém detritos maiores e que permanecessem quase na mesma direção.

As chuvas de meteoros, por exemplo, são decorrentes dessa trilha – e alguns dos detritos permanecessem na Terra.