Brasil vai ajudar a construir o maior telescópio do mundo no Chile

Senado aprovou o acordo de adesão do País a um consórcio científico internacional

O Senado aprovou, na última quinta-feira (14) o acordo de adesão do Brasil ao Observatório Europeu do Sul (ESO), um consórcio de pesquisa astronômica que opera vários telescópios de ponta nos Andes chilenos, formado por 14 países europeus. Com isso, chega ao fim uma das maiores polêmicas da história da astronomia nacional, iniciada em 2011, quando o então ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, assinou o acordo inicial de adesão. Faltava a ratificação pelo Legislativo, agora concedida.

O acordo tem o apoio da maioria na comunidade científica, apesar de ser visto como mau negócio por alguns pesquisadores brasileiros. O valor do contrato é de 270 milhões, segundo o Senado. Com a ratificação do acordo, o Brasil passa a ser um membro oficial do consórcio, com acesso a todos os telescópios e participação na construção do Telescópio Europeu Extremamente Grande (E-ELT), projetado para ser o maior do mundo.

O equipamento deve ser instalado na montanha de Cerro Armazones, no Deserto de Atacama, norte do Chile.

O supertelescópio deverá começar a funcionar na próxima década. Ele terá cerca de 40 metros de diâmetro e será o maior do mundo para observações diretas e infravermelhas. Há alguns anos o Brasil vem sendo tratado como membro pelo ESO, mas sempre dentro de uma expectativa de que o acordo seria ratificado e que o País pagaria por sua fatia do bolo – o que não era uma certeza até agora.

Após a adesão ao acordo, o País deve desembolsar 130 milhões como taxa de adesão , que pode ser quitada em 11 parcelas. Outros 140 milhões deverão ser pagos a título de anuidade – um valor que é calculado com base na Receita Nacional Líquida de cada país.

Em relação à construção do E-ELT, o Brasil obteve isenção da chamada “contribuição adicional”, cujo valor é estimado em 250 milhões, mas dará uma contribuição financeira, cujo pagamento será parcelado até o fim de 2020. De acordo com o projeto de adesão aprovado, pelo menos 75% dos recursos investidos pelo Brasil devem ser revertidos em benefícios para o País.