Satélites do sistema Galileu são colocados em órbita

Sistema de navegação foi criado em parceria por europeus e russos para rivalizar com o GPS

Kuru, Guiana Francesa – A Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês) colocou em órbita nesta sexta-feira os dois primeiros satélites do sistema de navegação Galileu, que competirão com o GPS americano a partir de 2014.

O lançamento, o primeiro de um foguete Soyuz na Guiana francesa, aconteceu às 8h30 (horário de Brasília) e foi comemorado pelos engenheiros russos e europeus, após uma falha na última fase de abastecimento dos tanques de combustível ter obrigado a adiar a decolagem da véspera.

Depois de quase 11 minutos do lançamento, o foguete entrou na fase de acesso da cápsula Fregat, que com os dois satélites de 700 quilos cada, desligou seus motores pouco depois e entrou em uma fase balística de 3 horas e 20 minutos que serviu para levá-los a órbita adequada, a 23 mil quilômetros de altitude sobre a Terra.

Após atingir esse ponto, a Fregat voltou a ligar seus motores até se estabilizar e colocar os satélites no ponto desejado, exatamente 3 horas, 49 minutos e 27 segundos depois do lançamento, completando a missão que iniciará o sistema de navegação Galileu.

Foi então que os responsáveis pela Arianespace, o consórcio espacial europeu encarregado do lançamento, deram por completa a missão de um dos projetos mais ambiciosos da história aeroespacial europeia. Nesse momento, os engenheiros romperam o silêncio com aplausos e se abraçaram para comemorar o êxito da missão.

A Comissão Europeia fará a abertura da licitação para a construção de 6 a 8 satélites que continuarão abastecendo a constelação até que em 2020 haja 30 em órbita e o projeto termine, explicou o vice-presidente da organização, Antonio Tajani, em Kuru, na Guiana Francesa.

Os membros europeus defendem as vantagens que o Galileu trará não só à gestão de transporte (aumento da segurança, agilização das operações, redução da deterioração do meio ambiente), mas também aos serviços para a agricultura, pesca, saúde, além da luta contra a imigração ilegal.

A Bélgica calcula também que a iniciativa europeia trará um retorno na ‘economia real’ de cerca de 90 bilhões de euros.

Após mais de 15 anos de cooperação entre a Bélgica e a Rússia e 462 milhões de euros investidos pela União Europeia (UE), a mítica nave russa decolou pela primeira vez do Centro Espacial Europeu de Kuru.