Reino Unido quer mais colaboração em pesquisa com o Brasil

Fapesp recebe visita de delegação do Conselho de Pesquisa em Biotecnologia e Ciências Biológicas britânico

A Fapesp recebeu, no dia 14 de junho, visita de uma delegação do Conselho de Pesquisa em Biotecnologia e Ciências Biológicas (BBSRC, na sigla em inglês) do Reino Unido.

O objetivo do encontro foi discutir possíveis programas em parceria, além de prioridades de pesquisa e estratégias conjuntas para promover inovação e pesquisa de excelência.

Um dos sete conselhos de pesquisa dos Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK, na sigla em inglês), o BBSRC investe aproximadamente 400 milhões de libras (cerca de R$ 1,36 bilhão) por ano no financiamento a estudos em biotecnologia e ciências biológicas em todo o Reino Unido.

Algumas das áreas de pesquisa financiadas pela instituição são genômica, biologias molecular e celular e biotecnologia. A instituição estabeleceu como temas prioritários de cooperação em pesquisa bioinformática e e-science, biofísica, sistemas cognitivos, métodos alternativos para substituição ou redução do uso de animais em pesquisa e alternativas para quimioterápicos, entre outros.

“O Reino Unido tem grande interesse em fomentar pesquisa em colaboração com o Brasil. Elegemos como algumas áreas prioritárias de colaboração em pesquisa segurança alimentar, bioenergia, biotecnologia industrial e impactos das mudanças climáticas”, disse Steve Visscher, vice-presidente executivo do BBSRC, à Agência Fapesp.

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, ressaltou que muitos dos temas de interesse do BBSRC também são considerados importantes e comuns às pesquisas apoiadas pela Fundação, e que a Fapesp possui diferentes modalidades de apoio à pesquisa que podem ser vias para colaboração entre as duas instituições.

Um deles é o Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), que reúne mais de 400 cientistas brasileiros, a maioria atuante em universidades e instituições de pesquisa no Estado de São Paulo, além de cerca de cem pesquisadores de diversos outros países – muitos deles do Reino Unido.

Outra iniciativa que pode contribuir com a colaboração, segundo Brito Cruz, são os 17 novos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs). Anunciados em maio, os Centros, que reúnem 466 cientistas do Estado de São Paulo e 68 de outros países – na condição de pesquisadores principais ou associados –, serão custeados pela Fapesp e pelas instituições-sede por meio de financiamento de pesquisadores, pessoal técnico e de apoio e de investimentos em infraestrutura, por um período de 11 anos.


O investimento total estimado é de US$ 680 milhões, sendo US$ 370 milhões da Fapesp e US$ 310 milhões em salários pagos pelas instituições-sede aos pesquisadores e técnicos.

“Uma parte importante da missão desses Centros será desenvolver cooperação internacional com as melhores instituições de pesquisa do mundo, muitas delas localizadas no Reino Unido. Os pesquisadores desses novos CEPIDs serão potenciais colaboradores de colegas no Reino Unido, financiados pelo BBSRC”, disse Brito Cruz.

Parceria com empresas

Brito Cruz também destacou que a Fapesp iniciou recentemente um programa em parceria com empresas que visa criar centros de pesquisa com concepção semelhante à dos CEPIDs, mas cofinanciados por indústrias e pela Fapesp, e adaptados às necessidades do setor produtivo.

O programa já resultou em acordo de cooperação com a indústria automobilística Peugeot-Citröen, que vai criar um Centro de Pesquisas em Engenharia por pelo menos dez anos para desenvolver projetos sobre motores de combustão interna, adaptados ou desenvolvidos especificamente para biocombustíveis, e sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis.

Outros estão em negociações, como o com a empresa farmacêutica inglesa GlaxoSmithKline (GSK), para criação de um centro de pesquisa em “química verde”. “Devemos fazer o anúncio do lançamento desse centro no segundo semestre deste ano”, disse Brito Cruz.

Brito Cruz ressaltou ainda que a Fapesp disponibiliza aos pesquisadores do Estado de São Paulo a Bolsa de Pesquisa no Exterior (BPE) e a Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), que permitem que bolsistas da Fapesp passem um período em bons centros de pesquisa em qualquer lugar do mundo. “Isso cria importantes oportunidades de colaboração”, disse.

Na mesma direção, a Fapesp também instituiu em 2012 um programa-piloto que busca estabelecer colaborações entre instituições do Estado de São Paulo e pesquisadores de alto nível radicados no exterior.


A meta do programa é atrair para o país cientistas de renome, a fim de que coordenem projetos temáticos em sua área de atuação em universidades e laboratórios paulistas.

Os pesquisadores seguem vinculados a suas instituições de origem, mas devem permanecer no Brasil 12 semanas por ano ao longo dos cinco anos – ou mais – de duração do projeto, coordenando um grupo de bolsistas da Fapesp, entre pós-doutores, doutores e até alunos de iniciação científica.

“Muitas dessas ações que temos criado para estimular a pesquisa no Estado de São Paulo podem contribuir para uma possível colaboração com o BBSRC”, disse Brito Cruz.

Ampliação de parcerias

Fapesp e BBSRC lançaram em 2011 uma chamada em conjunto, no âmbito de um acordo entre as instituições.

O BBSRC pretende ampliar a parceria. “A Fapesp oferece muitas possibilidades de colaboração de pesquisa. Há poucas instituições no mundo que oferecem oportunidades de colaboração tão grandes e flexíveis”, disse Visscher.

Nos dias 25 a 27 de setembro, a Fapesp realizará um simpósio na Royal Society, em Londres, reunindo pesquisadores do Estado de São Paulo e do Reino Unido, de diversas áreas do conhecimento, com objetivo de estreitar cooperações em pesquisa.

A comitiva do BBSRC foi recebida na Fapesp por Brito Cruz, Marie-Anne Van Sluys, membro da coordenação do BIOEN, e Alexandre Roccato, diretor de área da Fundação.

A delegação britânica foi composta por 15 pesquisadores – oito representantes de Institutos Nacionais de Biociências no Reino Unido, além das Universidades de Bristol, Warwick e Nottingham, com a qual a Fapesp mantém acordo de cooperação.