Realidade aumentada permite ver próprio cérebro em ação

Denominado "Mind Mirror" , protótipo capta a atividade elétrica do cérebro, com a ajuda de um capacete de eletrodos e a retranscreve sob a forma de imagens

Olhar no espelho para observar, em tempo real, a atividade do próprio cérebro através do crânio.

Esta cena, digna de um filme de ficção científica, virou realidade no laboratório de pesquisadores franceses, ao combinar um eletroencefalograma (EEG) clássico com técnicas de realidade aumentada.

Denominado “Mind Mirror” (Espelho da Mente), este protótipo capta a atividade elétrica do cérebro, com a ajuda de um capacete de eletrodos, como o utilizado em um EEG médico, e a retranscreve sob a forma de imagens.

Esta cartografia cerebral “é, em seguida, projetada numa tela, em superposição com o rosto do indivíduo”, resumiu Anatole Lécuyer, diretor científico do Instituto Nacional de Pesquisas em Informática e Automática da França (INRIA), que apresentou à imprensa sua invenção nesta terça-feira.

“A ideia inicial foi muito simples, porque as tecnologias já existem, mas desenvolver a técnica, sobretudo para a visualização, exigiu tempo”, afirmou.

Patenteado dentro de alguns meses, o dispositivo precisa apenas de um equipamento leve e de custo relativamente baixo: um capacete com eletrodos, uma tela de computador equipada com uma webcam (ou melhor ainda, um filme semitransparente posicionado sobre a tela, que permite obter um verdadeiro “efeito espelho” ao se olhar nos olhos) e uma câmera 3D, do mesmo tipo que a utilizada por alguns consoles de videogame para acompanhar a orientação do rosto do indivíduo.

“Podemos virar a cabeça para a esquerda ou para a direita para ver melhor as zonas cerebrais que estão ativas. E para a parte de trás do crânio, colocamos um ‘retrovisor'”, que retransmite a imagem filmada por uma segunda câmera, destacou Lécuyer.

Atualmente, o dispositivo é capaz de analisar os picos de atividade elétrica gerados pelos neurônios e afixá-los em degradês de cor segundo sua intensidade.

Após a calibragem, pode, também, distinguir se o indivíduo está relaxado ou em esforço, mental ou muscular.

Mas qual seria a aplicação deste espelho cerebral virtual, desenvolvido pelo INRIA e o Instituto Nacional de Ciências Aplicadas (INSA) de Rennes?

Os cientistas veem aplicações destinadas ao ensino de ciências e às atividades lúdicas.

Porém, a mais longo prazo, eles querem aplicá-lo no domínio médico, onde poderia contribuir a tratar certos problemas neurológicos, graças, por exemplo, ao “neurofeedback” ou “retorno neuronal”.

Esta técnica consiste em visualizar em tempo real para o paciente sua atividade cerebral para melhor conscientizá-lo e, em alguns casos, modificá-la.

Ela já é utilizada para tratar problemas de atenção, do sono ou na restauração motora após acidentes vasculares cerebrais.

Segundo os criadores do “Mind Mirror”, o efeito espelho dado pela realidade aumentada poderia impulsionar o aprendizado por neurofeedback, ao dar uma melhor visualização da atividade do cérebro, um pouco como um esportista observa seu corpo em funcionamento.