Protesto de alunos de Medicina em Salvador deixa 8 feridos

Cerca de 200 estudantes da Faculdade de Tecnologia e Ciências seguiram para a Avenida Paralela, a mais movimentada da cidade, e interromperam o tráfego em um dos sentidos

Salvador – Um protesto realizado por estudantes de Medicina da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) na manhã desta terça-feira, em Salvador, terminou com intervenção da Tropa de Choque da Polícia Militar e oito alunos da instituição atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), dois deles feridos por balas de borracha.

O protesto começou às 8h30. Cerca de 200 estudantes, reunidos na frente do campus, seguiram para a Avenida Paralela, a mais movimentada da cidade, e interromperam o tráfego em um dos sentidos. Eles reivindicam o pagamento dos salários atrasados dos professores e melhorias nas condições de ensino do curso.

Chamada ao local para tentar desobstruir a via, a Polícia Militar passou a negociar com os manifestantes a liberação de duas das quatro faixas da avenida, mas os estudantes liberaram apenas uma.

Segundo a PM, também foi sugerido que a manifestação fosse feita no canteiro central da avenida, o que foi negado. O reforço da Tropa de Choque foi chamado.

Segundo os estudantes, não houve mais negociações. “Eles (integrantes da tropa) chegaram atirando balas de borracha e bombas de efeito moral contra a gente, não teve conversa”, conta a estudante Priscila Pereira. Com o ataque, os estudantes fugiram da avenida e a pista foi rapidamente liberada.


Dois estudantes foram atingidos por balas de borracha e dois sofreram escoriações ao cair. Eles foram atendidos por ambulâncias do Samu que foram ao local. Nenhum deles teve ferimentos graves. Outros quatro alunos passaram mal com a confusão e precisaram de atendimento.

Segundo a Polícia Militar, já havia a determinação de que eventuais protestos dos alunos da instituição não poderiam interromper o fluxo de veículos da avenida.

“Já tínhamos realizado reuniões com eles sobre esse tema e ficou estabelecido que as ações desse tipo teriam de ficar restritas à via que dá acesso à faculdade, paralela à avenida”, conta o major César Castro, que comandou a ação. “Não temos interesse nesse tipo de intervenção, mas tentamos a negociação e não tivemos sucesso.”

Em nota, a PM informou que teve de agir rapidamente para liberar a pista, já que as negociações não avançaram. A FTC informou que um grupo de estudantes foi recebido pela direção da faculdade, que se comprometeu a pagar os salários de abril até o fim da semana.