Progresso científico dá o tom na abertura das Paralimpíadas

Durante mais de três horas, cerca de 4 mil voluntários representaram um espetáculo colorido e cheio de música, fogo e luzes

Londres – Uma cerimônia espetacular aberta por Stephen Hawking, com constantes referências ao progresso da ciência, marcou nesta quarta-feira o início dos Jogos Paralímpicos de Londres, em um evento assistido por 62 mil espectadores no estádio de Stratford.

Durante mais de três horas, quase duas delas dedicadas ao desfile dos atletas, cerca de 4 mil voluntários, entre os quais havia ex-atletas paralímpicos, soldados feridos e crianças dos diferentes bairros do leste da cidade, representaram um espetáculo colorido e cheio de música, fogo e luzes.

Embora os atletas tenham sido o centro da festa, eles dividiram as atenções com ícones da ciência nascidos na Grã-Bretanha, como Stephen Hawking, que sofre de uma esclerose lateral amiotrófica que o mantém quase totalmente paralisado, Isaac Newton e Peter Higgs, autor da teoria do Bóson de Higgs.

A cerimônia, dirigida por Jenny Sealey e Bradley Hemmings e intitulada ”Enlightenement” (”Iluminação”), começou pontualmente às 16h30 (de Brasília). Quem deu início ao evento foi Hawking, que do centro do Estádio Olímpico fez um breve discurso sobre a origem do universo.

”Vivemos em um universo governado por leis racionais que podemos descobrir e entender. Olhemos para cima, para as estrelas, e não para baixo, para nossos pés. Tentai dar sentido ao que vedes e preguntai-vos o que faz com que o universo exista. Sede curiosos”, pediu Hawking, com uma lua gigante em cima dele.

Um ”Big Bang” criado com fogos de artifício explodiu ao redor do cientista, dando passagem para a primeira parte da cerimônia com Miranda, a heroína do escritor inglês William Shakespeare, em uma cadeira de rodas e acompanhada por seu pai, Próspero, interpretado pelo ator Ian McKellen.


Seguindo o conselho de Hawking de ser curiosa, Miranda descobriu através de um olho gigante a maçã de Isaac Newton, um livro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e uma palpitante bola que representava o Bóson de Higgs, enquanto o estádio se transformava em um acelerador de partículas.

Após esse início, com centenas de voluntários no estádio e alguns deles realizando acrobacias no ar, a rainha Elizabeth II chegou ao local junto aos filhos Anne e Edward, os duques de Cambridge, William e Kate, e o presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Philip Craven.

No camarote também havia outras personalidades, como o ministro do Esporte do Brasil, Aldo Rebelo; a infanta Elena, da Espanha; o vice-presidente do Equador, Lenín Moreno; e as primeiras-damas da Colômbia, María Clemencia Rodríguez, e do México, Margarita Zabala.

Com a aparição da soberana inglesa e o hasteamento da bandeira britânica enquanto soava o cântico ”Deus Salve A Rainha” começou a apresentação dos 165 países representados.

O desfile dos 4,2 mil atletas durou duas horas e foi sucedido pelos discursos de Craven e do presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres (Locog), Sebastian Coe. Ambos lembraram a figura de Ludwig Gutmann, que há 64 anos fundou o movimento paralímpico na cidade inglesa de Stoke Mandeville. Na sequência, a rainha declarou abertos os Jogos Paralímpicos.

A reta final da cerimônia, de tom mais brando e na qual Miranda continuou descobrindo o universo, conduziu até a chegada da tocha ao estádio. A chama acumulou duas horas de atraso em seu revezamento de terça para quarta-feira, mas chegou a Stratford a tempo.

Em um belo giro, o soldado Joe Townsend, que perdeu ambas as pernas na guerra do Afeganistão, sobrevoou com a tocha paralímpica a distância entre a torre Orbyt e o estádio, onde a cedeu ao jogador de futebol de cinco britânico David Clarke. Com a ajuda de um guia, el a entregou para a última integrante do revezamento, Margaret Maughan.

Primeira campeã olímpica nascida na Grã-Bretanha, Maughan acendeu a mesma pira utilizada nos Jogos Olímpicos. Com o fogo sagrado iluminando Londres novamente, a cantora Beverley Knight fechou a cerimônia, enquanto os fogos de artifício enchiam de luz o escuro céu de Londres.