Ponte projetada por Leonardo da Vinci é testada – e aprovada – pelo MIT

Pela primeira vez, ponte que era para ser a mais comprida do mundo sai do papel - e pesquisadores concluem que ela funcionaria para a época

São Paulo – Em vida, o inventor italiano Leonardo da Vinci desenvolveu diversas obras científicas, matemáticas e pinturas. Mas nem todas as invenções do também engenheiro saíram do papel. Pensando nisso, Karly Bast Meng, aluna de pós-graduação do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), decidiu se juntar ao professor de arquitetura e engenharia civil John Ochsendorf e a, também aluna, Michelle Xie para construir um modelo, em escala, da ponte desenhada por da Vinci. Quando foi imaginada, a ponte seria mais comprida do mundo, mas não chegou a ser construída.

Quando da Vinci desenhou a ponte, ele pretendia que o sultão Bayezid II, que governou o Império Otomano de 1481 até 1512, a utilizasse para conectar Istambul, na Turquia, com a cidade de Galata, que hoje é um distrito de Istambul. Bayezid, porém, recusou a proposta do desenhista. Mais de 500 anos depois, a fim de testar a viabilidade da construção, um grupo do MIT resolveu criar uma miniatura da ponte e verificar se ela teria funcionado para atender à demanda de transeuntes da época.

Em Barcelona, durante a conferência da Associação Internacional de Estruturas Shell e Espaciais, organização sem fins-lucrativos que reúne engenheiros e arquitetos, a equipe de pesquisadores do MIT apresentou os resultados do estudo sobre a obra de da Vinci. A partir da análise de documentos, prováveis materiais que teriam sido utilizados e diversos modelos de construção, e o estudo sobre condições geológicas do lugar para onde a ponte foi imaginada, o grupo percebeu que da Vinci desejava construir uma ponte cerca de dez vezes maior do que as pontes comuns para a época – a construção teria cerca de 280 metros de comprimento.

Meng, Ochsendorf e Xie observaram que a ponte deveria ser constituída de pedra para se manter. Além disso, eles também perceberam que a construção seria capaz de se sustentar sozinha, sem o uso de argamassa ou cimento para unir os blocos de pedras. Para provar a tese, os pesquisadores construíram um modelo formado por 126 blocos, em uma escala de 1:500. Os blocos, feitos por meio de uma impressora 3D, demoraram cerca de seis horas cada para serem produzidos.

Segundo Meng, essa era a maneira para conseguir resultados mais exatos: “O processo demorou, mas a impressão em 3D nos permitiu recriar com precisão essa geometria muito complexa”, informou a aluna em comentário para o jornal da faculdade.

Toda a estrutura é mantida pelas forças internas da construção, de acordo com Meng. Para testar sua resiliência, Bast e Xie utilizaram duas plataformas móveis como base para a ponte, que foram sendo afastadas lentamente para ver qual seria o ponto de colapso completo. Ainda que o projeto não possa ser utilizado de forma prática para construções modernas, sua realização aponta que muitos projetos ambiciosos para a época poderiam ter saído do papel no início de 1.500: “Você não precisa, necessariamente, da tecnologia moderna e sofisticada para ter as melhores ideias”, complementou Meng.