Planta doméstica com DNA de coelhos pode reduzir poluição

Alteração genética torna a planta 5 vezes mais potente na limpeza do ar doméstico

São Paulo – A planta doméstica conhecida como jiboia ou hera-do-diabo pode se tornar uma aliada na redução da poluição em ambientes fechados, e a solução está no DNA dos coelhos, segundo um estudo publicado na última quarta-feira (19). Com a composição genética alterada, a planta consegue quebrar substâncias tóxicas e limpar o ar ao redor.

As atividades cotidianas no ambiente doméstico, como cozinhar, tomar banho ou fumar, podem liberar uma série de substâncias – algumas delas tóxicas -, que permanecem presentes na casa por muito tempo. O organismo de muitos mamíferos, incluindo humanos, possui um gene capaz de quebrar várias dessas substâncias à medida que são aspiradas. A presença de plantas nesses ambientes ajuda, já que elas absorvem o ar em seu processo de respiração celular.

Redução 5 vezes maior que a de plantas comuns

Pensando nisso, cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, decidiram inserir o gene, conhecido como P450 2e1, no material genético da jiboia (Epipremnum aureum), planta facilmente encontrada em casas e apartamentos. Em laboratório, a equipe usou os coelhos como fornecedores do gene.

Em seguida, os pesquisadores monitoraram a capacidade da planta geneticamente modificada de quebrar a composição do benzeno e do clorofórmio, limpando o ar dos frascos em que estavam inseridas e comparando sua performance à de plantas com o material genético original. Como resultado, a concentração de benzeno no ar das jiboias alteradas caiu cerca de 75% em oito dias, uma redução 4,7 maior que a normalmente causada pela presença de plantas no ambiente. Já o clorofórmio tornou-se “pouco detectável” após seis dias na presença da jiboia.

Estufa na sala de estar

A equipe sugere um uso específico para as plantas modificadas, já que seu efeito quando deixadas normalmente nos ambientes não é tão potente por terem pouco contato com todo o ar da casa. A solução seria colocar a planta dentro de um “biofiltro”, que funcionaria como uma estufa em miniatura, ventilando o ar pelo ambiente. “Não há dispositivos atualmente no mercado para lidar com esses [químicos voláteis], então o que estamos propondo aqui é uma tecnologia que possa preencher essa lacuna”, explicou ao The Guardian o co-autor do estudo, Stuart Strand.

Agora, os pesquisadores estão realizando experimentos para investigar se a jiboia também pode reduzir os níveis de outras substâncias químicas problemáticas ou se outros genes também poderiam ser inseridos para ajudar a decompor mais substâncias no ar. Além disso, precisam estudar o comportamento das plantas fora do laboratório, explorando o potencial das novas plantas nos lares domésticos.