Pesquisas nos EUA deixarão de usar chimpanzés

Especialistas consideram que grande parte das experiências feitas com esses animais não era indispensável para a ciência

Washington – Os Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos (NIH) devem suspender quase totalmente o uso de chimpanzés em pesquisas biomédicas, recomendaram pesquisadores independentes destas instituições, segundo um documento publicado em seu site.

Estes especialistas do “Conselho dos Conselhos dos NIH” defendem que seja mantido um grupo de 50 chimpanzés – ao invés de 450 – que possam eventualmente ser usados em pesquisas, especificando que estes animais devem ser mantidos em condições apropriadas (grandes espaços, acesso ao exterior).

Antes de ser aprovadas pelo diretor dos NIH, Francis Collins, estas recomendações deverão ser objeto de uma consulta pública por 60 dias.

Os NIH já tinham aceitado, em dezembro de 2011, as recomendações do Instituto Americano de Medicina (IOM), que concluiu pela inutilidade das experiências biomédicas com estes animais.

Na ocasião, os NIH “informaram à comunidade científica que aceitariam as recomendações do Instituto de Medicina (IOM) e que, consequentemente, não financiariam mais nenhum novo projeto de pesquisa que utilizasse chimpanzés” enquanto se elaboram novas regras.


Os institutos também decidiram reexaminar todas as pesquisas em curso utilizando chimpanzés, que são raras. Dos 94 mil projetos de pesquisa financiados em 2011 pelos NIH, apenas 53 foram realizados com os animais.

Os Estados Unidos são o único país industrializado a utilizar primatas na pesquisa médica, sobretudo para a hepatite C, a Aids e a malária.

A União Europeia proibiu formalmente o uso destes animais em laboratórios em 2010, seguindo o exemplo de Japão, Austrália e outros países.

Após a confusão provocada entre organizações de proteção dos animais pela devolução, em 2010, de 14 chimpanzés a um laboratório de pesquisa no Texas (sul dos EUA), os NIH aguardaram as conclusões dos especialistas consultados pelos Institutos de Medicina.

“Se no passado os chimpanzés foram muito úteis na pesquisa médica, seu uso atualmente não é necessário na maior parte das pesquisas médicas”, concluíram.

Os especialistas consideram que em certos domínios – como a genética comparativa entre os macacos e os humanos ou as doenças infecciosas emergentes -, o uso de chimpanzés ainda pode ser indispensável.

Mas, segundo os NIH, não é um consenso a necessidade de se manter os chimpanzés para a pesquisa de uma vacina contra a hepatite C.

Em 2011 havia 937 chimpanzés disponíveis para a pesquisa nos Estados Unidos, dos quais 450 financiados pelos NIH e os outros em laboratórios privados.