Pedalar muito pode aumentar chance de ter câncer de próstata

A incidência de câncer de próstata é maior entre homens que passam muito tempo pedalando, afirmam cientistas ingleses

São Paulo – Um novo estudo descobriu uma ligação direta entre o uso prolongado de bicicletas e a chance de desenvolver câncer de próstata entre homens com mais de 50 anos. Um artigo sobre o tema foi divulgado na publicação de ciência Journal of Men’s Health.

Liderado por pesquisadores da universidade College London, o estudo é fruto de um levantamento realizado entre 2012 e 2013 que envolveu dados de 5.282 ciclistas. Eles foram avaliados pelos cientistas em relação às chances de desenvolverem problemas como impotência sexual, infertilidade e câncer de próstata.

Os dados obtidos na pesquisa indicaram que ciclistas com mais de 50 anos que pedalavam menos de 3 horas e meia por semana tinham 0,6% de chances de desenvolverem câncer de próstata. Já entre aqueles que pedalavam mais de 8 horas e meia por semana, o índice alcançava 3,5%.

“A ligação direta entre câncer de próstata e tempo passado na bicicleta oferece uma nova perspectiva no estudo das causas da doença e exige maiores investigações”, afirmam os pesquisadores no estudo.

Cautela

No artigo, os cientistas destacam que não foram constatadas ligações diretas entre o uso prolongado de bicicletas e a ocorrência de problemas de infertilidade ou impotência sexual.

Mesmo a ligação entre o ciclismo e o câncer de próstata, apontada pelo estudo, é vista com muita cautela pela comunidade científica.

“Essa descoberta não prova relação de causa e efeito. E eu simplesmente não estou convencido de que o ciclismo de fato cause maior incidência de câncer de próstata”, afirmou em texto publicado no portal Live Science David Samadi, urologista do Hospital Lenox Hill de Nova York.

Segundo ele, passar muito tempo sobre a bicicleta pressiona certas áreas da próstata. Isso causaria o aumento dos níveis da enzima PSA na corrente sanguínea.

A alta concentração dessa enzima no sangue é um dos indicadores usados por médicos para identificação do câncer de próstata. Então, a maior presença de PSA no sangue de ciclistas que pedalam mais pode estar facilitando o diagnóstico da doença entre eles.

“O que já sabemos, com certeza, é que exercícios e controle de peso reduzem o risco de câncer de próstata, além de várias outras doenças”, afirma Samadi em seu texto.

Logo, até segunda ordem, os ciclistas não precisam ficar preocupados com os resultados da pesquisa. Mas que o assunto merece ser estudado, merece.