Órgãos criticam condenação de cientistas italianos

Na segunda-feira passada, os especialistas italianos foram condenados a seis anos de prisão por não avaliar de forma suficiente o risco de um tremor na região de Abruzos

Londres – A Royal Society de Londres e a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos criticaram nesta quinta-feira a decisão que condena à prisão sete cientistas italianos por terem subestimado o risco de um terremoto em Aquila.

Na segunda-feira passada, os especialistas italianos foram condenados a seis anos de prisão por não avaliar de forma suficiente o risco de um tremor na região de Abruzos, ocorrido em abril de 2009.

Em resposta a esta decisão, o presidente da Royal Society, Paul Nurse, e o da Academia Nacional de Ciências dos EUA, Ralph J. Cicerone, advertiram em comunicado divulgado hoje do perigo que esta sentença abra um precedente.

“Isto poderia desembocar em uma situação na qual os cientistas temerão dar sua opinião de especialistas por medo de serem processados ou de sofrer represálias”, afirmam na nota.

Na segunda-feira passada, o Tribunal de Aquila, na Itália, declarou os sete membros da Comissão de Grandes Riscos culpados de homicídio culposo múltiplo e lesões por negligência.

Concretamente, eles foram acusados de ter realizado em reunião que mantiveram uma semana antes do tremor “uma avaliação do perigo sísmico genérica e ineficaz em relação ao trabalho da comissão e aos deveres de prevenção e precisão do risco sísmico”.

Os presidentes da Royal Society e da Academia dos EUA lembram na nota que “por mais que a sociedade e os Governos queiram”, nem sempre é possível que a ciência forneça respostas “claras e simples” para os problemas.