Orbital Sciences está pronta para primeira missão rumo à ISS

A previsão da meteorologia dá 75% de probabilidades de condições favoráveis no momento do lançamento, informou a empresa

Washington – A empresa americana Orbital Sciences se preparava nesta quinta-feira para lançar sua cápsula não tripulada Cygnus que vai realizar sua primeira missão de abastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS), depois de um adiamento de 24 horas que se seguiu a um nível de radiação espacial elevado.

O lançamento do foguete de dois estágios Antares, que transportará a Cygnus, está previsto para as 13h07 locais (16h07 de Brasília) do Centro de Voo Wallops, situado em uma ilha próxima à costa da Virgínia (leste dos Estados Unidos).

A previsão da meteorologia dá 75% de probabilidades de condições favoráveis no momento do lançamento, informou a empresa, que assinou um contrato com a Nasa para abastecer a ISS.

“A contagem regressiva transcorre normalmente faltando pouco mais de três horas para o lançamento, e todos os parâmetros dão luz verde, inclusive as condições meteorológicas”, disse Barron Beneski, da Orbital Sciences, em e-mail enviado à AFP.

Caso tudo saia como previsto, a Cygnus chegará à estação orbital no domingo.

Inicialmente marcado para dezembro, o lançamento da Cygnus foi adiado várias vezes pela decisão da Nasa de substituir com urgência uma bomba de amoníaco defeituosa em um dos dois circuitos de refrigeração da ISS. O reparo foi feito pelos dois astronautas durante duas caminhadas espaciais pouco antes do Natal.

Os reparos foram concluídos na quarta-feira, mas o lançamento da Cygnus precisou ser adiado por mais um dia, devido a erupções solares que aumentaram o nível de radiação no espaço, o que poderia afetar os sistemas eletrônicos de Antares, explicou a Orbital.

Essas radiações “excediam por uma margem considerável as restrições impostas pela missão para garantir que os sistemas eletrônicos do foguete não se alterem”, destacou a empresa espacial.


Formigas na microgravidade

Este será o quinto voo de uma nave espacial privada à ISS. A Orbital Sciences é uma das duas empresas americanas, junto com a SpaceX, escolhidas pela agência espacial americana para abastecer a estação orbital.

A Orbital já tinha feito um voo de testes rumo à ISS em setembro.

“Este voo será o primeiro de três previstos este ano rumo à ISS pela Cygnus (…) durante os quais transportará um total de 5,5 toneladas de carga”, explicou na terça-feira Frank Culbertson, diretor-executivo da Orbital.

A Cygnus transportará nesta missão 1.461 quilos de materiais cientistas, inclusive formigas, com o objetivo de observar seu comportamento em microgravidade, assim como elementos para estudar a resistência microbiana aos antibióticos.

Em sua chegada à ISS, a cápsula será capturada pelo braço mecânico da estação, operado por dois dos seis astronautas da tripulação, de forma a proceder com seu acoplamento.

Os tripulantes da ISS – três russos, dois americanos e um japonês – começarão um dia depois a descarregar as provisões e depois colocarão na Cygnus os rejeitos que estão no laboratório orbital.

Ao contrário da cápsula Dragon, da SpaceX – a outra empresa americana escolhida pela Nasa para transportar carga para a ISS -, a Cygnus não retornará à Terra e se autodestruirá ao entrar na atmosfera.

A agência espacial americana aposta em sua associação com o setor privado para reduzir o custo de acesso à órbita baixa.

Segundo os termos de um contrato de US$ 1,9 bilhão assinado com a Nasa, a Orbital Sciences levará 20 toneladas de carga à ISS durante oito voos que serão realizados até o início de 2016.

A SpaceX já executou três missões à ISS com sua cápsula Dragon, duas delas para levar carga no âmbito de um contrato de US$ 1,6 bilhão com a Nasa. A empresa ainda deve fazer dez voos de carga à ISS até 2015.

A empresa SpaceX lançou a Dragon com seu foguete Falcon 9 a partir da base de Cabo Cañaveral, na Flórida (sudeste).

Essas empresas viram aumentar potencialmente o mercado de transporte para a ISS com a decisão, anunciada na quarta-feira pela Nasa, de prorrogar por quatro anos, até 2024, a vida útil da estação espacial.