ONG norte-americana suspende reembolsos por doação de tecidos de fetos abortados

Os críticos conservadores, muitos dos quais buscam proibir o aborto nos Estados Unidos, acusam a organização de venda de órgãos fetais

Buscando encerrar um escândalo sobre suposto tráfico de tecido fetal abortado, a organização não-governamental norte-americana dedicada à saúde reprodutiva Planned Parenthood disse nesta terça-feira que não aceitará mais reembolsos pelos custos das doações.

A medida destina-se a desmentir o que o grupo chama de “falso argumento” de críticos que atacam a Planned Parenthood pela prática.

O debate explodiu no início deste ano, quando ativistas anti-aborto liberaram vídeos secretamente gravados que mostram funcionários da organização discutindo uso de tecido fetal abortado para investigação médica.

Os críticos conservadores, muitos dos quais buscam proibir o aborto nos Estados Unidos, acusam a organização de venda de órgãos fetais e partes do corpo com fins lucrativos, e de encorajar as mulheres a praticarem abortos, a fim de expandir essas operações.

A Planned Parenthood nega veementemente as alegações.

“Nos últimos dois meses, os opositores ao aborto legal e seguro lançaram falsas alegações sobre o nosso papel na doação do tecido fetal para poder avançar sua agenda política radical”, afirmou em comunicado Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood.

“Hoje, estamos afastando essa cortina de fumaça para longe”.

Richards explicou que cada um dos centros de saúde do grupo que realiza a doação de tecidos após um aborto para investigação médica vai adotar uma política de “não aceitar reembolso pelas despesas”.

A Planned Parenthood, organização não-governamental que recebe dinheiro do governo federal, é o maior realizador de abortos dos Estados Unidos, tornando-a um alvo fácil de grupos que tentam derrubar a decisão de 1973 da Suprema Corte do país que legalizou a interrupção voluntária de gravidez.

A ONG tem estado sob constante ataque dos republicanos no Congresso, alguns dos quais sob o argumento de que o governo não deveria estar pagando por abortos.

Os recursos federais são impedidos por lei de serem usados em qualquer tipo de aborto, exceto em circunstâncias muito específicas, como quando a mãe foi vítima de estupro.

Os ativistas que divulgaram as imagens editadas de horas de gravações acusam os funcionários de discutirem uma mudança de protocolo para manter certos órgãos intactos, o que seria ilegal.