Nuvens frustram espetáculo do eclipse total

Populações do norte do globo esperavam contemplar o fenômeno, mas na maioria dos casos foram as nuvens, e não a Lua, que esconderam o Sol

Longyearbyen – A Lua encobriu o Sol nesta sexta-feira durante o eclipse solar total, ofuscado em muitas partes do hemisfério norte pelas nuvens, deixando para poucos privilegiados a chance de admirar o espetáculo a partir de um arquipélago remoto no Ártico ou a bordo de um avião.

As populações de Europa, do noroeste da África e da Ásia, além do Oriente Médio, esperavam contemplar o fenômeno, mas na maioria dos casos foram as nuvens, e não a Lua, que esconderam o astro rei.

As redes sociais foram tomadas com comentários sobre este fenômeno, em grande parte frustrado, e nelas as fotos mais ou menos magistrais dividiam espaço com piadas de observadores decepcionados.

“Ok, acabou. Felizmente, na próxima vez em que houver um eclipse na Grã-Bretanha estaremos todos mortos”, ironizava o britânico Mark Wallace no Twitter.

Muitos moradores de Reino Unido, Espanha ou França ficaram decepcionados, e apenas alguns privilegiados conseguiram evitar as nuvens e contemplar em um avião o “sol negro”.

Mediante o pagamento de centenas de euros por pessoa, 50 dinamarqueses embarcaram em um Boeing 737 fretado especialmente para a ocasião.

No entanto, mesmo ali enfrentaram alguns inconvenientes: “No chão é possível ouvir os pássaros se comportarem de forma diferente e sentir como a temperatura cai”, explicou à AFP um dos passageiros, Valentin Mikkelsen, antes de embarcar na aeronave.

“E pode ser que não vejamos tudo, já que as janelas são pequenas”, declarou este professor de 63 anos.

Pela décima vez desde o início do século XXI, houve um eclipse solar total, mas o fenômeno inteiro só pôde ser visto em territórios remotos do planeta.

Por sua vez, as autoridades nacionais multiplicavam as advertências, como é habitual, convocando a população a utilizar óculos de proteção especial para evitar graves lesões oculares.

Espetáculo no Ártico

Milhares de caçadores de eclipses, que por vezes viajam de muito longe, chegaram às Ilhas Feroe, território autônomo dinamarquês situado acima do Reino Unido, e a Svalbard (Noruega), a 1.300 km do Polo Norte, em meio ao Ártico, para presenciar o espetáculo.

Em Svalbard, que acaba de sair de quatro meses de noite polar, o ataque de um urso polar contra um turista tcheco na quinta-feira não desanimou os curiosos. Moradores locais e visitantes puderam ver a noite em pleno dia por aproximadamente dois minutos e meio.

Um eclipse solar total é questão de distância e alinhamento: é preciso que a lua se intercale com o sol em um eixo perfeito e a uma distância suficientemente próxima de nosso planeta para que o diâmetro aparente do satélite ultrapasse o do astro rei, tapando-o completamente.

Por acaso, o eclise coincide com o equinócio de primavera, quando o Sol passa do hemisfério sul ao hemisfério norte, assim como com a “SuperLua”, a lua cheia em perigeu, o ponto em que se encontra mais próxima à Terra.

O alinhamento entre a Terra, a Lua e o Sol será seguido de grandes marés no sábado na costa do Atlântico, no canal da Mancha e no mar do Norte.

Para o próximo eclipse solar total, a Europa deverá esperar 2026.