Morcegos causaram misterioso coronavírus na Arábia Saudita

Washington - Morcegos foram a origem do misterioso coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), surgida na Arábia Saudita e que provocou até agora...

Washington – Morcegos foram a origem do misterioso coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), surgida na Arábia Saudita e que provocou até agora 47 mortes, informaram autoridades sanitárias dos Estados Unidos.

Virologistas americanos e sauditas disseram que este vírus é 100% idêntico geneticamente ao que infecta os seres humanos e que afetou pelo menos 96 pessoas, das quais 47 morreram. Esta descoberta, feita por cientistas do Centro de Infecções e Imunidade (CII), da Universidade de Columbia (Nova York, norte), identifica pela primeira vez um hospedeiro animal para este coronavírus.

Os resultados deste trabalho foram publicados na internet na quarta-feira na revista Emerging Infectious Diseases, difundida pelos centros federais dos Estados Unidos para o Controle e a Prevenção de Doenças (CDC).

“Tem havido vários anúncios de descobertas de vírus similares ao MERS em animais, mas nenhum correspondia geneticamente de forma exata, como é o caso do patógeno encontrado no morcego”, disse Ian Lipkin, diretor da CII e co-autor do estudo.

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“Além disso, o morcego portador deste vírus estava perto do lugar, a poucos quilômetros, onde foi observado o primeiro caso de infecção humana, em setembro de 2012 na Arábia Saudita”, disse. Até agora, desconhecia-se a origem deste novo coronavírus, que raramente é transmitido entre seres humanos. A maioria dos casos – 70 em 96 – foi registrada na Arábia Saudita, onde está o foco infeccioso.

Os cientistas coletaram mais de mil amostras de sete espécies de morcegos em regiões da Arábia Saudita onde tinham sido identificados casos de MERS. Depois de muitos testes, uma amostra de fezes de um morcego chamado “das tumbas egípcias”, encontrado perto da residência da primeira vítima conhecida do MERS, continha um coronavírus cujo DNA era idêntico ao dos agentes patogênicos em pessoas infectadas.

No entanto, “não há evidências de contato direto entre os morcegos e a maioria dos casos de MERS humanos”, destacou Ziad Memish, vice-ministro de Saúde da Arábia Saudita e co-autor do estudo. “Levando em conta que é muito difícil a transmissão entre humanos, acreditamos que poderia haver um vetor intermediário que transmita o coronavírus às pessoas”, afirmou. 

Os morcegos são reservatórios de vírus que causam várias doenças que afetam os seres humanos, como a raiva e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars). Em alguns casos, a infecção pode ser transmitida por contato direto entre os morcegos e os seres humanos, inalação acidental de aerossóis infectados, ingestão de alimentos contaminados ou, com menos frequência, pela mordida, explicaram os cientistas.

Os morcegos também podem infectar animais domésticos, que por sua vez infectam as pessoas, o que poderia ser o caso do MERS, segundo eles.