Médico chinês quer fazer transplante de cabeça em humanos

Depois de realizar mais de mil cirurgias do tipo em ratos, ele irá testar a técnica em macacos e espera poder realizar o transplante em humanos no futuro

São Paulo – Um cirurgião chinês, que afirma já ter feito 1.000 transplantes de cabeça em ratos, quer expandir sua técnica para outros animais. O próximo passo, de acordo com ele, é realizar a cirurgia em macacos e espera poder, posteriormente, usar a técnica com humanos.

A expectativa do doutor Xiaoping Ren é fazer um transplante de cabeça em um macaco ainda neste ano. Em caso de sucesso, será a primeira cirurgia do tipo bem sucedida em um primata. O cirurgião está trabalhando na técnica desde 2013.

Depois de passar anos trabalhando e morando nos Estados Unidos, o médico voltou à China. De acordo com uma matéria do Wall Street Journal, o retorno foi motivado por as razões.

A primeira é o patrocínio do governo sobre o trabalho. Ele recebeu uma verba de 1,6 milhão de dólares para sua pesquisa, diretamente do governo e também da sua universidade. O segundo motivo é que uma proposta de aprovação para uma experiência de transplante de cabeça sofreriam barreiras éticas e de financiamento nos Estados Unidos.

De acordo com o médico, com o aperfeiçoamento das técnicas de transplante de cabeça, será possível ajudar humanos no futuro. Ele cita, em especial, lesões na medula espinhal, cânceres ou problemas musculares graves.

Apesar disso, o doutor Ren não se arrisca a dar uma previsão de quando seria possível realizar uma cirurgia desse tipo em um humano.

2017

O cirurgião chinês não é o único trabalhando com a hipótese de um transplante de cabeça em humanos. Recentemente, o médico italiano Sergio Canavero anunciou que já tem um voluntário para a realização do primeiro transplante desse tipo.

O voluntário é o russo Valery Spiridonov, que sofre de uma doença muscular terminal chamada Síndrome de Werdnig-Hoffman. A ideia é transplantar a cabeça de Spiridonov para um corpo que tenha sofrido morte cerebral, mas que tenha boas condições físicas.

Apesar da proximidade do transplante que será realizado pelo médico italiano, Dr. Ren acha que ainda não existem condições para um trabalho desse tipo.

“Atualmente, eu não tenho confiança para dizer que posso fazer um transplante de cabeça em um humano”, disse ao WSJ. “Nós queremos fazer testes clínicos, mas temos que conseguir fazer o trabalho em um animal que posteriormente tenha um longo período de sobrevivência.”

Os planos de transplantes de cabeça em seres humanos são rechaçados energeticamente por pesquisadores. “O plano todo é completamente ridículo”, afirmou ao WSJ Arthur Caplan, pesquisador de bioética da Escola de Medicina da Universidade de Nova York.

Outro especialista contrário à experiência é o presidente da Associação Americana de Neurocirurgiões, o Dr. Hunt Batjer. “Eu não deixaria ninguém fazer isso comigo, existem muitas coisas piores do que a morte”, afirmou ele à CNN em entrevista.