Marte perdeu maior parte da atmosfera cedo demais

Cientistas suspeitam que, depois de formação violenta do planeta há 4,5 bilhões de anos, algo fez com que Marte perdesse sua atmosfera

São Paulo – Marte não é um planeta agradável para se viver. O planeta vermelho é frio e seco, com uma fina atmosfera dominada por dióxido de carbono. E, de acordo com novos dados coletados pelo jipe-robô Curiosity, a atmosfera do planeta não mudou muito nos últimos 4 bilhões de anos.

Os cientistas suspeitam que, depois de formação violenta do planeta há 4,5 bilhões de anos, algo fez com que Marte perdesse sua atmosfera. Hoje, o planeta tem só 1% da atmosfera da Terra.

Os pesquisadores suspeitam que Marte sofreu uma catástrofe que desligou os campos magnéticos do planeta. O fenômeno deixou o planeta exposto a fortes ventos solares e o fez perder praticamente toda sua atmosfera. Essa descoberta foi possível porque pesquisadores revelaram com uma precisão inédita a composição do ar em Marte. A conclusão está em dois estudos publicados na revista Science.

Os cientistas já suspeitavam que Marte tivesse perdido a atmosfera no passado. A nova análise revelou detalhes na composição de gases no planeta, o que permitiu aos cientistas deduzir que a erosão atmosférica inicial foi muito mais brusca do que o imaginado, e só depois atenuou.

Antes desse evento, Marte tinha uma atmosfera espessa, com pressão centenas de vezes maior do que a da Terra. O planeta vermelho perdeu rapidamente quase todo seu ar e a erosão não cessou. Hoje, o ar de Marte é tão rarefeito que sua pressão é de menos de um centésimo da encontrada na superfície terrestre.

Os pesquisadores deduziram essa perda de atmosfera porque os átomos mais leves de um gás se concentram no alto da atmosfera. O vento solar age os empurrando para fora de Marte com mais facilidade.

Agora, portanto, é praticamente um fato: Marte perdeu sua atmosfera. Resta ter certeza do que causou essa perda tão brusca. Os cientistas ainda discutem o que exatamente causou o fenômeno.

A hipótese mais válida é que o campo magnético do planeta dependia de um fluxo de magma em seu interior. Se esse magma se solidificou, o magnetismo se dissipou e deixou o planeta exposto ao vento solar, que era mais forte naquela época. Há também a teoria de que uma grande colisão desestabilizou o fluxo de magma do planeta vermelho.

Apesar da perda precoce de atmosfera, ainda não se sabe se o fenômeno foi quem impediu que o planeta tivesse condições favoráveis à vida. Mas tudo indica que, ao menos durante um curto período de tempo, a pressão atmosférica do planeta foi adequada para manter água líquida, cujo fluxo deixou sinais em rochas.