Macacos digitais recriam obra de Shakespeare

Milhões de macacos virtuais simulam a digitação aleatória de textos para recriar toda a obra de Shakespeare

São Paulo — Se um milhão de macacos digitassem aleatoriamente em um milhão de computadores, em algum momento formariam a obra completa de William Shakespeare. A conhecida frase, apenas uma forma popular de falar sobre probabilidades, está sendo testada pelo americano Jesse Anderson – mas de forma diferente. No lugar de macacos de verdade, ele, que é programador, criou animais digitais para produzir os textos.

Desde o dia 21 de agosto, as digitações aleatórias já geraram mais de 5 trilhões de conjuntos de caracteres e produziram, até agora, 99,9% da obra do dramaturgo inglês do século XVI, autor de clássicos como “Romeu e Julieta”, “Sonho de Uma Noite de Verão”, “Otelo” e “A Megera Domada”. Esta é a primeira vez que se recria, aleatoriamente, o trabalho de Shakespeare – e também a maior obra já criada de forma aleatória.

No blog que mantém sobre o projeto, Anderson explica que a inspiração veio de um episódio dos Simpsons. Na cena, que parodia a teoria do “um milhão de macacos”, o Sr. Burns leva Homer até sua mansão e, em um dos quartos, revela a existência de mil macacos em mil máquinas de escrever digitando textos.

Os macacos virtuais foram criados na plataforma de computação em nuvem Amazon EC2. Um algoritmo chamado “Mersenne twister” é usado para garantir que a “digitação” seja mesmo aleatória, simulando as batidas de macacos em teclados. Andersen também escreveu um programa que compara os resultados gerados pelos macacos virtuais aos textos de Shakespeare. Se algum trecho ou palavra combina, ele é marcado para uso futuro.

O processo é repetido até que todas as palavras de toda a obra tenham sido criadas aleatoriamente. O projeto possui algumas limitações e atalhos, como combinar o traalho de todos os macacos para obter a obra completa. Mas trata-se de um experimento pessoal do programador. Quem quiser pode acompanhar o progresso em sua página.