IPCC: o calvário climático nos 5 continentes e como evitá-lo

Novo relatório da ONU identifica os maiores desafios que cada região do planeta deverá enfrentar e aponta formas de superá-los a partir de soluções do presente

São Paulo – O aquecimento global não tem misericórdia, é preciso agir — e rápido. Esta é a conclusão da segunda parte do quinto relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que traça um cenário sombrio para o futuro da humanidade, marcado por secas, enchentes, conflitos e danos agrícolas sem precedentes.

Lançado neste domingo, em Yokohama, no Japão, o documento, que trata dos impactos e adaptações às mudanças climáticas, constata que ninguém será poupado dos efeitos das catástrofes de um mundo em aquecimento.

Considerando a alta de temperatura de 2º C a 4 ° C, até 2100, em relação aos níveis pré-industriais, o Painel calculou o risco de exposição nos cinco continentes e regiões específicas do planeta, em função das atuais políticas de adaptação à mudança climática.

O documento reúne o estado da arte das pesquisas científicas sobre clima no mundo e servirá para nortear políticas e tomadas de decisão, como a definição de um novo acordo global de redução de emissões pós-Kyoto, em 2015.

Ele dá continuidade à primeira parte do IPCC, divulgado em setembro de 2013, que fazia um diagnóstico físico das transformações climáticas em curso.

No novo relatório, os cientistas do clima não ficam apenas no alarmismo e apontam como é possível evitar o pior a partir de soluções do presente. Falta saber, qual caminho seguiremos.

África

Desafio 1: risco de estresse hídrico, em caso de alta na temperatura de 2º C a 4 ° C.

Como evitar: uso mais inteligente dos recursos hídricos.

Desafio 2: risco de escassez de alimentos.

Como evitar: desenvolvimento de culturas tolerantes a estresses; ajuda governamental para os pequenos agricultores.

Desafio 3: risco de aumento de doenças transmitidas por mosquitos e pela água mal tratada.

Como evitar: implementação de sistemas de alerta antecipado sobre ocorrência de surtos e melhoria no saneamento básico.

(Getty Images)

Europa

Desafio 1: aumento das inundações causadas por cheias de rios e nas áreas costeiras.

Como evitar: melhorar a proteção contra as inundações, com preservação de vegetação e áreas naturais que funcionam como barreira e também lançar mão de intervenções de engenharia.

Desafio 2: estresse hídrico e aumento da seca (risco alto em caso de elevação de 2ºC na temperatura, e muito elevado, em caso de mais 4° C).

Como evitar: reduzir o desperdício de água, inclusive por meio de irrigação agrícola, com sistemas mais eficientes no consumo desse recurso.

Desafio 3: ondas de calor mais intensas e poluição do ar extremamente prejudicial à saúde (risco alto em caso de 2º C a mais, e muito alto para 4°C).

Como evitar: reduzir as emissões de poluentes e gases efeito estufa para melhorar a qualidade do ar e adaptar casas e locais de trabalho para lidar com ondas de calor, através de sistemas inteligentes.

(GettyImages)

Ásia

Desafio 1: danos causados por inundações em casas e na infraestrutura urbana das cidades afetadas.

Como evitar: construções mais resistentes e planejamento da localização de novos projetos construtivos.

Desafio 2: aumento de mortes provocadas pelo calor extremo.

Como evitar: fortalecer os sistemas de saúde e melhorar o planejamento das cidades para reduzir a formação de ilhas de calor.

Desafio 3: desnutrição causada pela seca; risco médio em caso de aumento de 2ºC e alto, para 4ºC.

Como evitar: Reforçar a vigilância sobre o abastecimento de alimentos e melhorar os sistemas de prevenção de catástrofes.

(Getty Images)

Australásia (região que abrange a Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Guiné e algumas ilhas menores da parte oriental da Indonésia)

Desafio 1: danos aos recifes de coral e perdas de espécies animais e de plantas.

Como evitar: reduzir as pressões sobre os ecossistemas, principalmente a poluição, melhorar a gestão do turismo na região e o controle sobre espécies invasoras.

Desafio 2: aumento de inundações em função da elevação do nível do mar, com prejuízos para a infraestrutura costeira; risco médio em caso de mais 2ºC, e muito alto em caso de 4ºC.

Como evitar: uso de terra e solo mais resistentes para reduzir a exposição a inundações e à erosão costeira.

(Reprodução/GoogleMaps)

América do Norte

Desafio 1: aumento de incêndios florestais, com prejuízos para os ecossistemas e cidades afetadas.

Como evitar: melhorar as medidas de prevenção de incêndios

Desafio 2: incremento de mortes por ondas de calor.

Como evitar: incentivar o uso de refrigeração residencial e construção de centros de refrigeração para os mais vulneráveis

Desafio 3: tempestade mais fortes e destrutivas, com danos para a infraestrutura urbana e propriedades particulares.

Como evitar: instalar sistemas de drenagem que permitam o escoamento da água para recarregar recursos hídricos subterrâneos, minimizando, assim, o risco de inundação.

(Getty Images)

América do Sul e Central

Desafio 1:
estresse hídrico em áreas semiáridas que dependem das geleiras para seu abastecimento de água.

Como evitar: melhorar o abastecimento de água e o uso da terra.

Desafio 2: inundações em áreas urbanas por chuvas extremas.

Como evitar: melhorar a gestão de inundações urbanas, com melhorias nos sistemas de alerta de emergência e nos radares meteorológicos.

Desafio 3: redução da produção agrícola e perda de qualidade.

Como evitar: desenvolver variedades de culturas alimentícias resistentes à seca.

(Lunae Parracho / Greenpeace)

Regiões polares

Desafio 1: ameaça aos ecossistemas decorrente das mudanças de permafrost, perda de neve e gelo.

Como evitar: melhorar o monitoramento desses riscos.

Desafio 2: insegurança alimentar e a falta de água potável confiável e segura.

Como evitar: melhorar os sistemas de monitoramento e mudança para regiões menos vulneráveis.

Desafio 3: os impacto nas comunidades do Ártico.

Como evitar: melhorar a comunicação, educação e formação, além de incentivar a cogestão do ecossistema entre as comunidades.

( (Lunae Parracho / Greenpeace) )

Pequenas ilhas

Desafio 1: perda de moradias, áreas de cultivo, infraestrutura e dos meios de subsistência em função da elevação do nível do mar e tempestades.
Como evitar: instalar proteções costeiras e melhorar a gestão dos recursos hídricos e do solo.

Desafio 2: perda de terras baixas nas zonas costeiras pela exposição ao aumento do nível do mar e tempestades.

Como evitar: não construir novos edifícios em áreas de risco.

(Creative Commons)