Instituto suíço fará teste de duas vacinas contra o ebola

Testes clínicos serão realizados em uma centena de pessoas em Lausana e Genebra e começarão 'o mais rápido possível'

O diretor do Instituto Tropical e de Saúde Pública de Basileia, na Suíça, Marcel Tanner, anunciou nesta quinta-feira a uma rádio local que sua instituição será um dos centros que realizará as análises clínicas para testar duas vacinas experimentais que a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou como possíveis métodos de imunização contra o vírus do ebola.

Segundo ele, as duas vacinas são “promissoras”. Os testes clínicos serão realizados em uma centena de pessoas em Lausana e Genebra e começarão “o mais rápido possível”. Em paralelo, outros testes acontecerão em regiões da África não afetadas pela epidemia, além dos que já se são feitos nos Estados Unidos. Esta é a fase 1, ou seja, a etapa em que se controla a segurança das vacinas e sua capacidade para produzir uma resposta imunológica.

Se os organismos das pessoas produzirem os anticorpos apropriados, a vacina poderia ser utilizada nas equipes médicas dos países afetados, algo que, segundo especificou Tanner, não ocorrerá antes do ano que vem.

“Estas vacinas são previstas para futuras epidemias”, afirmou Tanner, que especificou que para lutar contra a epidemia atual é preciso reforçar os sistemas de saúde dos países afetados e aplicar as medidas de isolamento dos doentes.

O instituto suíço de produtos terapêuticos Swissmedic e a Comissão de Ética devem dar ainda a autorização para que os testes possam ser feitos. Há 15 dias, as duas vacinas contra o ebola que estavam em um processo mais avançado de desenvolvimento foram assinaladas como uma das soluções para tentar deter a expansão da epidemia atual.

Especialistas reunidos em Genebra durante dois dias para determinar quais tratamentos experimentais podem ser usados para lutar contra o ebola alcançaram o consenso e identificaram as vacinas e as definiram como “promissoras” para prevenir o contágio do vírus.

As duas selecionadas são VSV-EBO, do canadense NewLink Genetic, e Chade-EBO, da britânica GlaxoSmithKline. A ideia da Organização Mundial da Saúde (OMS) era que os testes de segurança ocorressem durante dois meses – já que os efeitos nocivos de uma vacina surgem rapidamente – e que as duas pudessem estar prontas em novembro deste ano.

Segundo o cronograma da OMS, os primeiros a receber as vacinas seriam os trabalhadores sanitários dos países mais afetados, após ter obtido seu consentimento. Posteriormente, os candidatos prioritários seriam os parentes de doentes e as pessoas que se dedicam a enterrar aos mortos por ebola.

Em função do resultado e da disponibilidade, as vacinas seriam oferecidas à população em geral. A tendência ao aumento de casos de ebola em Libéria, Serra Leoa e Guiné continua, confirmou hoje a OMS, que comunicou que o novo saldo de mortos é de 2.622 pessoas.

O número de infectados se eleva a 5.335, dos quais 2.710 correspondem unicamente à Libéria, onde 1.459 doentes morreram. A transmissão do vírus na Monróvia, sua capital, está sendo considerada, agora, a principal propulsora da epidemia.