Implante neural sem fio pode ajudar a evitar convulsões

Monitoramento e choques terapêuticos são aliados de pacientes com Parkinson e epilepsia

São Paulo – Um pequeno dispositivo sem fio pode se tornar um grande aliado para pessoas que sofrem com condições neurológicas como epilepsia e Doença de Parkinson. Estudado há algum tempo pelos cientistas, o implante neural sem fio é constantemente aprimorado, e uma nova versão promete torná-lo ainda mais eficaz.

O novo implante, que deve ser inserido na superfície do cérebro, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e corrige limitações dos modelos anteriores. O protótipo, chamado de WAND (sigla em inglês para “Dispositivo de Neuromodulação Sem Artefatos e Sem Fio”), monitora a atividade elétrica do cérebro e é capaz de retomar seu equilíbrio natural caso detecte movimentos inesperados.

Entre as melhorias desenvolvidas pelos cientistas, estão a diminuição do tamanho e dos ruídos gerados durante a coleta de dados pelo implante. A pesquisa foi publicada no dia 31 de dezembro na revista Nature Biomedical Engineering e sugere um caminho para o tratamento das condições neurológicas mais comuns pelo mundo.

Atividades simultâneas melhoram performance

Por enquanto, o dispositivo foi testado apenas em primatas e funciona como um circuito fechado, ou seja, possui a capacidade de interpretar a atividade elétrica e enviar choques terapêuticos ao mesmo tempo, resultando em tratamentos mais especializados e eficazes.

“Queremos permitir que o dispositivo descubra qual é a melhor maneira de estimular um determinado paciente a obter os melhores resultados”, disse Rikky Muller, engenheiro elétrico e cientista da computação, em um comunicado à imprensa. “E você só pode fazer isso ouvindo e registrando as assinaturas neurais.”

Futuramente, a equipe planeja implementar um sistema de inteligência artificial para que o implante possa melhorar ainda mais a leitura e a compreensão dos sinais do cérebro. Como próximo passo, o dispositivo deverá ser testado em pacientes voluntários para garantir o funcionamento do implante em humanos.