Genoma do melanoma confirma risco da exposição ao sol

O melanoma, uma forma agressiva e letal do câncer de pele, tem uma incidência cada vez maior no mundo

Londres – O sequenciamento do genoma completo do melanoma confirma que a exposição aos raios ultravioleta aumenta o número de mutações que originam a doença e revela um novo gene vinculado a ela, informa um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista “Nature”.

O melanoma, uma forma agressiva e letal do câncer de pele, tem uma incidência cada vez maior no mundo, já que a cada ano se multiplica por dez o número de afetados.

“Nosso estudo oferece a primeira visão em alta resolução do mapa genético de um conjunto de melanomas metastáticos e demonstra o papel da radiação ultravioleta para produzir mutações relacionadas a esses tumores”, explica em seu artigo Levi Garraway, pesquisador principal do estudo.

Sua equipe, formada por cientistas das universidades de Harvard e MIT (EUA), sequenciou o genoma completo de 25 melanomas metastáticos – aqueles que já se disseminaram a outra parte do corpo – e mediu o número de mutações genéticas em pacientes com diferentes níveis de exposição aos raios ultravioleta.

A porcentagem mais alta delas foi registrada em um paciente com melanoma com uma exposição crônica ao sol, enquanto era intermediária entre os pacientes que tinham recebido raios ultravioletas sobre tronco e extremidades e baixa entre aqueles que só o tinham tomado sobre braços e pernas.

Além desta conclusão, os pesquisadores identificaram um conjunto de mutações genéticas recorrentes que não tinham sido relacionadas antes com o melanoma e que afetam sobretudo o gene denominado PREX2.

Os cientistas estudaram este gene separadamente em 107 melanomas humanos e concluíram que o DNA foi alterado em 14% deles.

Estudos prévios tinham relacionado as mutações deste gene com a aparição do câncer de mama, mas esta é a primeira vez que se vincula ao melanoma.

Embora sua função no câncer de pele esteja ainda para ser determinada, a equipe de Garraway acredita que poderia ser responsável de acelerar a formação do tumor.

A pesquisa também revelou um “grande número” de mutações que afetam outros genes além do PREX2, ressaltou Garraway, e que conformam um “espectro de aberrações genéticas”.

Descobrir o papel dessas mutações na aparição e desenvolvimento do melanoma permitiria novos avanços na compreensão da biologia dos tumores e na busca de tratamentos que se necessitam com urgência, concluiu Garraway.