Fóssil de morcego que andava é descoberto na Nova Zelândia

Os fósseis datam possivelmente de 16 milhões de anos atrás

Morcegos de rabo curto da Nova Zelândia (‘Mystacina tuberculata’) têm agora um novo ancestral para pendurar na árvore genealógica: uma espécie até agora desconhecida, três vezes maior do que seus primos modernos e que podia andar sobre quatro patas – afirmaram pesquisadores nesta quarta-feira (17).

“O surpreendentemente grande tamanho deste morcego sugere que ele foi fazendo cada vez menos voos de caça e conseguia presas mais pesadas no chão, e frutos maiores do que seu primo atual”, explicou Suzanne Hand, principal autora do estudo, professora associada da Universidade de New South Wales (UNSW), na Austrália.

O estudo se baseia em fósseis que datam possivelmente de 16 milhões de anos atrás, e foram encontrados em sedimentos de um lago pré-histórico perto de Otago Central, na Ilha Sul, segundo relatos dos pesquisadores da revista PLOS ONE.

A nova espécie, ‘Mystacina miocenalis’, é parente de outro morcego, o de rabo curto, que ainda vive pelas florestas da Nova Zelândia.

Três diferentes espécies de morcegos formam os únicos mamíferos terrestres nativos da Nova Zelândia, de acordo com a pesquisa. Dois pertencem à família Mystacina, conhecida como ‘morcegos que caminham’ por forragearem o chão, isto é, com a ajuda do pulso e dos pés.

“O tamanho dos morcegos é fisicamente limitado pelas demandas de voos e ecolocalização, já que é preciso ser pequeno, rápido e preciso para caçar insetos no escuro”, disse Hand.

A dieta do morcego ancião consistia, provavelmente, em néctar, pólen, frutas, insetos e aranhas – similar à alimentação de seus parentes da atualidade. Mas o antepassado provavelmente tinha um peso de 40 gramas, o triplo do peso de um morcego moderno. As ‘graminhas’ a mais deviam tornar mais difícil a caça no ar.