Físicos veem indícios da existência da Partícula de Deus

As conclusões do Fermilab vêm de 10 anos de pesquisas do Tevatron, um potente acelerador de partículas que iniciou suas atividades em 1985

Chicago – Físicos nos Estados Unidos reportaram nesta segunda-feira a descoberta de fortes indícios da existência do bóson de Higgs, a esquiva partícula conhecida como a “Partícula de Deus” e que supostamente faz com que os objetos tenham massa, mas esperam mais informações da Europa para confirmar uma possível descoberta.

Se os físicos conseguirem confirmar a existência do bóson de Higgs, a última peça que falta no modelo padrão da física, o anúncio se tornará um dos avanços científicos mais importantes do século.

“Nossas informações apontam fortemente para a existência do bóson de Higgs, mas precisamos dos resultados dos experimentos do Grande Colisor de Hádrons (LHC ou acelerador de partículas) na Europa para confirmar uma descoberta”, declarou Rob Roser, porta-voz do laboratório nacional americano Fermilab (Fermi National Accelerator Laboratory), no estado de Illinois (norte). Os resultados serão anunciados na quarta-feira.

As conclusões do Fermilab vêm de 10 anos de pesquisas do Tevatron, um potente acelerador de partículas que iniciou suas atividades em 1985 e foi fechado no ano passado.

“Desenvolvemos sofisticados programas de simulação e análise para identificar padrões similares ao bóson de Higgs. Ainda assim, é mais fácil buscar o rosto de um amigo em um estádio esportivo com 100.000 pessoas do que buscar uma eventual partícula de Higgs entre as bilhões de colisões”, afirma Luciano Ristori, físico do Fermilab e do Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) italiano.

Os resultados do Tevatron indicam que a partícula de Higgs, se é que existe, tem uma massa entre 115 e 135 gigaeletronvolts (GeV/c2), em torno de 130 vezes a massa do próton.

Baseado em dois experimentos, conhecidos como CDF e DZero, a equipe de especialistas descobriu que há apenas uma chance em 550 de que o sinal encontrado seja meramente um acaso estatístico.


No entanto, a importância estatística do sinal, de 2,9 sigmas, não é suficientemente forte para atingir o limiar requerido de cinco sigmas para afirmar que uma partícula foi descoberta.

“Demos um passo crucial na busca pelo bóson de Higgs”, declarou Dmitri Denisov, porta-voz do DZero e físico do Fermilab.

“Ninguém esperava que o Tevatron conseguisse isso quando foi construído na década de 1980”.

As experiências com o acelerador de partículas mais potente, o LHC, do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), na fronteira entre a França e a Suíça, apresentaram em dezembro de 2011 “provocadores indícios” de que a elusiva partícula estava escondida em uma estreita faixa de massa.

O LHC do CERN, maior acelerador de partículas do mundo, mostrou uma possível faixa do bóson de Higgs entre 115 e 127 gigaeletronvolts (GeV).

O GeV é a medida padrão para a massa das partículas subatômicas. Um GeV é equivalente a massa aproximada de um próton.

Os experimentos realizados nos Estados Unidos se aproveitaram desses resultados, ainda que analisando uma faixa um pouco maior.

Agora, a comunidade científica espera com impaciência os resultados europeus desta semana.

“É um verdadeiro suspense”, afirmou o porta-voz do DZero, Gregorio Bernardi, físico do Laboratório de Física Nuclear e de Alta Energia da Universidade de Paris VI e VII. “Estamos muito empolgados com isso”.