EUA vigiam 100 pessoas por risco de Ebola

A grande maioria das 100 pessoas identificadas apresenta baixa probabilidade de terem sido contaminadas

Autoridades de saúde pública do Texas identificaram cerca de 100 pessoas sob risco de terem sido expostas ao Ebola em contatos diretos ou indiretos com o primeiro paciente diagnosticado com a doença dos Estados Unidos. Quatro familiares da vítima foram ordenados a ficar em casa e não receber visitar por 21 dias, período de incubação do vírus.

Do grupo de 100 pessoas, entre 12 e 18 tiveram contato direto com Thomas E. Duncan, que chegou no Estados Unidos no dia 20 vindo da Libéria, país que está no centro do surto de Ebola na África Ocidental. Entre elas, há cinco crianças que estudam em quatro diferentes escolas de ensino médio e fundamental da cidade. As escolas passaram por processo de desinfecção e permanecem abertas.

A grande maioria das 100 pessoas identificadas apresenta baixa probabilidade de terem sido contaminadas, já que o vírus só é transmitido quando seu portador manifesta os sintomas da doença. A transmissão não se dá pelo ar e exige o contato com fluidos corporais da vítima ou superfícies que tenham sido contaminadas por esses fluidos.

Duncan começou a apresentar sintomas da doença no dia 25 e procurou ajuda no Hospital Presbiteriano em Dallas. Depois de uma consulta, ele foi enviado de volta para casa com uma prescrição de antibióticos. O paciente estava hospedado no apartamento de sua namorada, onde estavam mais três pessoas.

Todos conviveram com Duncan por três dias depois de a doença se manifestar, situação na qual o contágio pode ocorrer. Em entrevista à CNN, a namorada disse que os funcionários do hospital foram informados em duas ocasiões que Duncan havia chegado há poucos dias da Libéria. As autoridades de saúde pública investigam por que ele foi liberado apesar de vir de uma região que está no centro do surto de Ebola na África.

Segundo o jornalista Anderson Cooper, que a entrevistou, ela também disse não ter recebido orientação sobre o que fazer com materiais contaminados por fluidos corporais de Ducan: o lençol usado por ele continuava na cama e toalhas haviam sido colocadas em sacos plásticos. O vírus já atingiu 6.263 pessoas e matou 2.917 em cinco países africanos: Guiné, Serra Leone, Libéria, Nigéria e Senegal.

Caso a doença não seja controlada, o número de vítimas pode chegar a centenas de milhares de pessoas, estimam cientistas. Essa é a primeira visita de Duncan aos Estados Unidos. Além de seus familiares, médicos e enfermeiras do hospital tiveram contato direto com ele e estão sendo monitorados de perto.

Cerca de 80 das 100 pessoas sob algum risco de contaminação tiveram contato indireto com o doente, por meio de outras pessoas que o encontraram. Ducan contraiu o vírus na Libéria, ao ajudar uma mulher grávida que morreu pouco antes de sua viagem para os Estados Unidos. Quando embarcou e durante todo o trajeto até Dallas, ele não manifestou nenhum sintoma do Ebola. Ducan fez escaladas em Bruxelas, na Bélgica, e em Washington. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.