EUA suspende proibição de pesquisas com células-tronco

Tribunal atende pedido do governo americano e suspende medida até o julgamento em nova instância

Washington – A corte federal de apelações de Washington suspendeu, esta quinta-feira, a proibição das pesquisas públicas com células-tronco embrionárias, proferida no fim de agosto, para dar mais tempo ao juiz para considerar o caso.

Menos de 24 horas depois de receber o pedido do governo do presidente Barack Obama, o tribunal de apelações de Washington “ordenou suspender a decisão (de primeira instância), à espera de uma decisão final da corte”.

“O objetivo desta suspensão administrativa é dar à corte tempo suficiente para examinar o expediente em profundidade, mas não representa em absoluto uma decisão de fundo”, esclareceu o tribunal, em comunicado.

Em março de 2009, Obama suspendeu a proibição de financiamento público para pesquisas com células-tronco embrionárias, uma manobra enaltecida por muitos que acreditam que elas têm grande potencial para tratar sérias doenças, inclusive os males de Alzheimer, Parkinson e diabetes.

Obama revisou, assim, uma medida adotada por seu antecessor, o republicano George W. Bush, que havia proibido o financiamento federal para este tipo de pesquisas, criticadas por religiosos conservadores sob a alegação de que a vida começa na concepção e de que as pesquisas resultam no descarte de embriões.

Em agosto, o juiz Royce Lamberth havia ordenado uma proibição temporária de financiamento federal, em decisão favorável a uma coalizão de grupos, inclusive organizações cristãs.

Se a decisão de Lamberth se sustentar, só dinheiro privado poderia financiar as pesquisas com células-tronco embrionárias.

A corte de apelações pode levar semanas para agendar uma audiência e, depois, meses para tomar uma decisão.

Ambos os lados podem apelar da decisão na Suprema Corte.

Os cientistas acreditam que as células-tronco, chamadas assim porque são a base para a criação de todas as células humanas, representam duas possibilidades importantes para a ciência.

Em primeiro lugar, podem ser usadas em pesquisas que não podem ser realizadas dentro do corpo. Mas os cientistas acreditam que também possam gerar células cardíacas, pancreáticas ou cerebrais, para substituir células infectadas ou danificadas, permitindo a órgãos e tecidos se reconstituírem.

Há três tipos de células-tronco atualmente examinadas por seu potencial médico e valor científico: as células-tronco embrionárias, extraídas de embriões humanos; as células-tronco adultas, tiradas do corpo ou de elementos descartados após o nascimento, como o cordão umbilical; e as células-tronco pluripotentes induzidas, que são células-tronco adultas geneticamente modificadas para se assemelharem às células-tronco embrionárias.

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