Estudo liga cratera à extinção dos dinossauros

A cratera teria sido formada pelo impacto de um asteroide de 10 km de diâmetro, apontado por muitos cientistas como o evento que decretou a morte dos dinossauros

São Paulo – É fato sabido que os mamíferos só conseguiram “dominar o mundo” depois que os dinossauros foram “aposentados” dessa função. E que a extinção dos dinossauros está associada a um período cataclísmico da história da Terra, conhecido como a “fronteira do Cretáceo-Paleógeno”, ocorrido cerca de 65 milhões de anos atrás.

A causa exata da morte dos dinos, porém, ainda é tema de grande debate na comunidade científica.

A popular história de que os dinossauros foram exterminados pelo impacto de um grande asteroide é bem mais complexa do que parece. A maioria dos cientistas acredita que isso, sim, foi um fator determinante.

Mas há uma série de dúvidas sobre o momento e o local exatos desse impacto; e se ele foi o único ou apenas um entre vários culpados para a grande extinção.

Um estudo publicado na edição desta sexta-feira da Science, junto com o trabalho sobre a evolução dos mamíferos placentários, reforça a hipótese predominante, de que a idade da famosa cratera de Chicxulub, no Golfo do México, coincide com a da fronteira do Cretáceo-Paleógeno.


A cratera teria sido formada pelo impacto de um asteroide de 10 km de diâmetro, apontado por muitos cientistas como o evento que decretou a morte dos dinossauros – ainda que outros fatores, como atividades vulcânicas, tenham contribuído para a situação caótica do período.

Uma equipe da Universidade Princeton, porém, liderada pela pesquisadora Gerta Keller, defende há anos que o impacto de Chicxulub ocorreu 300 mil anos antes da fronteira do Cretáceo-Paleógeno e, portanto, não teria nenhuma relação com a extinção dos dinossauros. Para Gerta, o extermínio foi causado por uma série de erupções vulcânicas ocorridas na região do planalto de Deccan, na Índia.

O novo estudo na Science, liderado por Paul Renne, da Universidade da Califórnia em Berkeley, conclui que as datas da cratera e da fronteira são, sim, compatíveis, com uma margem de incerteza de “apenas” 32 mil anos.

“O impacto de Chicxulub aplicou um golpe decisivo em ecossistemas que já estavam criticamente estressados”, escrevem os autores. Eles não negam uma possível influência das erupções de Deccan, mas dizem que a datação delas ainda é incerta. Gerta disse ao jornal de O Estado de S. Paulo, por e-mail, que o trabalho de Renne “falha miseravelmente” em seus argumentos científicos.