Estudo indica que anti-cancerígeno reverte Alzheimer em ratos

Estudo feito nos Estados Unidos fez a doença regredir rapidamente nos animais e aponta para um tratamento para o problema

Washington – Um medicamento contra o câncer restaurou rapidamente as funções cerebrais normais de ratos de laboratório que sofriam do Mal de Alzheimer, um avanço que pode resultar no desenvolvimento de um tratamento para esta doença incurável e devastadora, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira.

Este anti-cancerígeno, o bexaroteno, fez desaparecer nos ratos até 75% das placas beta-amilóides, uma forma de proteína cujo acúmulo é uma das principais características patológicas do Alzheimer. Além disso, ele reverteu os sintomas desta doença, como a perda de memória.

Após 72 horas do início do tratamento com o bexaroteno, os ratos -geneticamente modificados para desenvolver o equivalente da doença de Alzheimer- começaram a exibir comportamentos normais, explicam os pesquisadores do estudo.

Estes animais também recuperaram a memória e o olfato, explicou à AFP o Dr. Daniel Wesson, professor adjunto de Neurociência na faculdade de Medicina Case Western, em Cleveland (Ohio), principal co-autor do estudo publicado na revista americana Science do dia 10 de fevereiro.

Ele notou que a perda de olfato é, geralmente, o principal sinal de Alzheimer nos humanos.

Este avanço “não tem precedentes”, considerou Paige Cramer, um pesquisador da Case Western que contribuiu com a pesquisa: “Até agora o melhor tratamento existente em ratos de laboratório demorava vários meses para eliminar as placas amilóides”.

“Este medicamento é eficaz nos ratos e o nosso próximo objetivo é verificar se funciona da mesma maneira nos humanos”, acrescentou o Dr. Gary Landreth, professor de neurociência na mesma faculdade e principal autor do estudo.

“Estamos ainda nos primeiros estágios para transformar esta descoberta fundamental em um tratamento”, disse o pesquisador.


Segundo o Dr. Wesson, a equipe “espera obter os primeiros resultados de um teste clínico preliminar até o ano que vem”.

Esta pesquisa foi baseada na descoberta, em 2008, do Dr. Landreth sobre o fato que o principal veículo do colesterol no cérebro, uma proteína chamada Apolipoproteína E (ApoE), também facilita a destruição das beta-amilóides.

Um aumento dos níveis dessa proteína no cérebro acelera a “limpeza” das placas amilóides que se acumulam, explicam os cientistas.

O Mal de Alzheimer se desenvolve em grande parte quando o organismo, em processo de envelhecimento, perde a capacidade de eliminar a beta-amilóide que se forma naturalmente no cérebro.

Aparentemente o bexaroteno reprograma as células imunocompetentes no cérebro para que elas possam “devorar” novamente os depósitos amilóides.

O bexaroteno, inicialmente desenvolvido pelo laboratório americano Ligand Pharmaceuticals com o nome de marca Targretin, foi aprovado pela Agência Americana de Medicamentos (FDA) em 1999. Ele trata um câncer raro de linfoma cutâneo de células T.

O laboratório japonês Eisai comprou o direito internacional de comercializar o bexaroteno em 2006.