Espanha realiza primeiro julgamento contra fabricante da talidomida

Espanha inicia julgamento contra fabricante da talidomida, um medicamento que provocou malformações em milhares de crianças

Cinquenta anos depois de sua retirada do mercado, começou nesta segunda-feira (14), em Madri, o primeiro julgamento na Espanha contra a empresa alemã Grünenthal, que fabricava a talidomida, um medicamento que provocou malformações em milhares de crianças em todo o mundo.

“Com este julgamento histórico, os afetados espanhóis pela talidomida esperam que (…) depois de mais de meio século de espera infinita, as vítimas espanholas vejam recompensado seu sofrimento, que começou como fetos, antes de nascer, e se prolonga até os nossos dias, com a amputação de seus braços e pernas”, declarou antes do julgamento a Associação de Vítimas da Talidomida na Espanha, Avite.

A Avite exige da empresa Grünenthal 204 milhões de euros para seus cerca de 180 membros em função da gravidade de suas malformações.

Denunciando falta de reconhecimento público em seu país, onde “a mera existência oficial das vítimas espanholas não ocorreu até 2010”, a Avite calcula que o número total das vítimas, muitas já falecidas, poderia alcançar pessoas.

“Com uma sentença favorável à nossa demanda, o laboratório alemão Grünenthal seria considerado oficialmente, pela primeira vez na história, responsável pelo ocorrido”, explicou Avite.

Grünenthal havia pedido publicamente perdão em setembro de 2012, ou seja, 50 anos depois dos primeiros casos de malformação, afirmando que “sentia muito” seu longo silêncio.

Este medicamento, que era prescrito às grávidas no final dos anos 50 e começo dos 60 para combater as náuseas, acabou causando danos irreversíveis no desenvolvimento dos fetos.

Estima-se que entre 10.000 e 20.000 pessoas tenham nascido com má-formações, às vezes sem um dos membros, depois que as mães tomaram este medicamento.

A talidomida foi retirada do mercado no final de 1961 na Alemanha e na Grã-Bretanha. A Avite afirma que ainda foi preciso esperar meses para que o medicamento fosse proibido na Espanha.