Esmalte dos dentes é herança dos peixes, diz estudo

Substância nem sempre apareceu nos dentes de animais, mas na pele

O esmalte de nossos dentes, responsável pelo sorriso brilhante das estrelas, provém das escamas dos peixes – é o que diz um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista britânica Nature.

O esmalte é um tecido dentário presente exclusivamente nos vertebrados. Mas a ganoína, tecido que lembra o esmalte, está presente nas escamas de inúmeros peixes fósseis e alguns peixes primitivos que vivem até hoje.

Mas quem veio primeiro: a ganoína ou o esmalte?

Para responder a esta questão, pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, e do Instituto de Paleontologia dos Vertebrados e de Paleontologia (IVPP) de Pequim, avaliaram os dados provenientes de dois campos de pesquisa bastante diferentes: a paleontologia e a genômica.

O estudo genético do Lépisostés (Lepisosteus), um dos raros peixes ainda vivos que apresentam ganoína, revelou a presença de dois dos três genes que codificam as proteínas do esmalte. “Isso nos permite concluir que a ganoína é um tipo de esmalte”, explicou à AFP Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala.

Por outro lado, os pesquisadores estudaram dois peixes fósseis, o Psarolepis e o Andreolepis, com mais de 400 milhões de anos, e descobriram a presença de esmalte em suas escamas. Mas não em seus dentes.

Resultado: originalmente, o esmalte estava presente na superfície do corpo, mas não nos dentes.

“O esmalte, que para nós é sinônimo de tecido dentário, não é originado nos dentes”, garante Ahlberg. “Ele evoluiu sobre a superfície do corpo dos vertebrados, provavelmente de suas escamas, e colonizou os dentes bem mais tarde”.

O estudo informa que outras análises de peixes primitivos serão necessárias para confirmar a época e o mecanismo que permitiu ao esmalte colonizar os dentes.