ESA lança satélites para observar campo magnético da Terra

Os satélites, pesando 470 quilos cada, entraram em uma órbita quase polar 91 minutos depois do lançamento e os três enviaram sinais à Terra

Moscou – A Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês) pôs em órbita nesta sexta-feira três satélites idênticos, em uma missão sem precedentes, destinada a observar o campo magnético da Terra, inclusive a misteriosa “anomalia do Atlântico sul”, uma região situada na altura do Brasil.

A missão Swarm (enxame, em inglês) foi posta em órbita por um foguete Rokot lançado da base Plesesk, no noroeste da Rússia, às 14H02 de Brasília, mostrou a ESA em imagens transmitidas ao vivo.

Os satélites, pesando 470 quilos cada, entraram em uma órbita quase polar 91 minutos depois do lançamento e os três enviaram sinais à Terra.

Estes trigêmeos do espaço se deslocam em trajetórias sutilmente diferentes, o que permite separar as diferentes fontes magnéticas e mapear em detalhe suas variações, não só no espaço como também no tempo.

Enquanto o campo de gravidade foi identificado com a observação da queda de uma simples maçã, o campo magnético terrestre, ao contrário, não é visível. No entanto, está em todo o lugar e nos protege, por exemplo, dos ventos solares.

Graças aos dados coletados pela missão Swarm durante pelo menos quatro anos, os cientistas esperam poder compreender a evolução do campo magnético, em particular a anomalia magnética do Atlântico Sul (AMAS): uma região situada na altura do Brasil, onde o mesmo é particularmente fraco e está diminuindo rapidamente por razões inexplicáveis, segundo os cientistas.

Ao sobrevoar este “triângulo das Bermudas” magnético, no qual o escudo natural da Terra fica debilitado, todos os satélites podem sofrer problemas e na superfície chegam a ser recebidas mais partículas provenientes do espaço.


A fonte principal do campo magnético da Terra está situada 3.000 km debaixo dos nossos pés, no núcleo de ferro e níquel que funciona como um gigantesco dínamo, graças às correntes que o atravessam.

No entanto, a este magnetismo se somam outras fontes muito mais fracas, como as pedras imantadas da crosta terrestre, assim como fontes externas como partes da atmosfera excitadas por radiações provenientes do sol (ionosfera e magnetosfera), explicou Gauthier Hulot, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas e do Instituto de Física do Globo de Paris.

Para executar a missão, avaliada em 276 milhões de dólares, a ESA escolheu a configuração inovadora de três satélites estritamente idênticos, com ares de naves de Guerra nas Estrelas, projetados para manobras adaptadas à órbita baixa.

Para garantir uma maior precisão nas medições efetuadas, os cientistas cuidaram especialmente da “limpeza magnética” dos satélites, privilegiando os materiais mais neutros possíveis.

Os magnetômetros a bordo da missão Swarm são mantidos à distância do corpo dos satélites e de seus parasitas eletromagnéticos, graças a mastros desdobráveis de quatro metros de comprimento, explicou Isabelle Fratter, que comandou para a agência espacial francesa (CNES) o projeto de magnetômetro “absoluto” ASM.

Este instrumento de precisão inigualável, concebido pela CEA-Leti (Instituto para pesquisas em micro e nanotecnologia), em Grenoble, mede a intensidade do campo magnético e permite calibrar periodicamente outros magnetômetros chamados “vetoriais” que medem a orientação do campo magnético nas três direções.

“Compreender a evolução do campo magnético terrestre é compreender como prever sua evolução futura e encontrar eventuais medidas de proteção”, explicou Gauthier Hulot.

Os dados enviados por Swarm serão usados em mapas e modelos que alimentam muitos aplicativos da vida cotidiana, como as cartas de navegação aérea e as bússolas dos smartphones, destacou o cientista.

Este mapeamento é muito importante, já que a bússola não indica o norte geográfico, mas sim o norte magnético, que se desloca rapidamente.