Erupções na Índia podem ter contribuído para a extinção dos dinossauros

As erupções começaram antes do impacto do asteroide e duraram, com intervalos, quase um milhão de anos

Londres — As erupções vulcânicas dos chamados basaltos de Deccan, na Índia, podem ter contribuído para a extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos devido à contaminação ambiental do mercúrio, informou nesta segunda-feira a revista científica “Nature Communications”.

Sabe-se que o impacto de um asteroide ou cometa foi a principal causa do desaparecimento da maioria dos dinossauros e de grande parte dos animais e vegetais do planeta, mas as erupções vulcânicas na Índia também podem ter contribuído.

Essas erupções começaram antes do impacto do asteroide e duraram, com intervalos, quase um milhão de anos.

Especialistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, relacionaram a influência de Deccan ao analisarem fósseis de conchas de moluscos de todas as partes do mundo, o que permitiu entender o impacto do clima e da poluição ambiental com mercúrio no momento em que ocorreram as erupções.

Os vulcões são a maior fonte natural do mercúrio que entra na atmosfera. Os cientistas encontraram equivalências ao comparar os níveis de mercúrio nos fósseis de conchas antigas com as conchas de moluscos coletadas no vale do Shenandoah, na Virgínia, nos EUA, onde as águas são poluídas pela indústria.

O estudo ressaltou a ideia de que o vulcanismo do Deccan teve um impacto climático e ecológico profundo, duradouro e global, segundo os pesquisadores.

“Pela primeira vez, podemos ter uma visão do clima e do impacto ambiental do vulcanismo em Deccan analisando um único material”, disse Kyle Myer, principal autor do estudo.

Myer expressou grande surpresa com o fato de as amostras – antigas e novas – apresentarem uma elevada concentração de mercúrio, um elemento químico tóxico que representa uma ameaça para a saúde humana, assim como para a vida selvagem e marinha.

Outro dos autores do estudo, Sierra Petersen, destacou que a região do South River conta com uma proibição de pesca por causa dos altos níveis de mercúrio, o que dá uma ideia do “impacto ambiental desse nível de poluição por mercúrio globalmente por centenas de milhares de anos”.

Os especialistas trabalharam na hipótese de que os fósseis de conchas de moluscos podem registrar temperaturas do mar e sinais variáveis de mercúrio associados à liberação de quantidades maciças de dióxido de carbono e mercúrio de Deccan.

Os basaltos de Deccan estão localizadas no planalto de Deccan, no centro-oeste da Índia. Trata-se de uma das maiores formações vulcânicas da Terra, já que possui várias camadas de inundações basálticas solidificadas.

Para esse estudo foram coletados fósseis de conchas da Antártida, Estados Unidos, Argentina, Índia, Egito, Líbia e Suécia, e a composição isotópica do carbonato de cálcio da concha foi analisada para determinar as temperaturas do mar, assim como a quantidade de mercúrio preservada nos fósseis coletados.

“O mercúrio já foi documentado em sedimentos, mas nunca antes em conchas. Ter a capacidade de reconstruir o clima e o indicador vulcânico exatamente nos mesmos materiais nos ajuda a evitar muitos problemas relacionados aos dados relativos (a ordem dos eventos em termos geológicos)”, disse Petersen.

Os basaltos de Deccan foram formadas entre 60 e 68 milhões de anos atrás, no final do período Cretáceo.