Energia consumida na infância por cérebro atrasa crescimento

Estudo tenta explicar por que as crianças crescem em um ritmo tão lento que se parece mais com o dos répteis

Washington – Uma razão pela qual a infância dos humanos é tão prolongada em comparação com a de outros mamíferos é que o desenvolvimento do cérebro consome tanta energia que retarda o desenvolvimento físico, afirma um artigo publicado nesta segunda-feira na “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), a revista oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

O estudo, que contou com a participação de cientistas de várias universidades e foi comandado por Christopher Kuzawa, do Departamento de Antropologia da Universidade Northwestern, no estado de Illinois, tenta explicar por que as crianças crescem em um ritmo tão lento que se parece mais com o dos répteis.

Os autores partiram da hipótese que o elevado custo energético do desenvolvimento do cérebro humano poderia explicar alguns aspectos típicos dos humanos, inclusive o crescimento lento nos anos que precedem a idade adulta.

Os cientistas acrescentaram que, apesar de ser amplamente aceito que as necessidades metabólicas do desenvolvimento do cérebro humano restringem o ritmo da evolução, esses requisitos não eram conhecidos.

Além disso, as hipóteses anteriores indicavam que o consumo de recursos por parte do cérebro era, em relação ao restante do corpo, muito maior logo após o nascimento, quando o tamanho do cérebro é maior em proporção.

“Nossas conclusões indicam que nossos corpos não podem dar o luxo de crescer mais rápido durante a infância devido à enorme quantidade de recursos que são necessários para sustentar o desenvolvimento do cérebro humano”, afirmou Kuzawa.

“Nós humanos temos muito que aprender e essa aprendizagem requer um cérebro complexo e faminto de energia”, acrescentou.

Esse estudo é o primeiro que combina dados de tomografias por emissão de pósitrons (PET, sigla em inglês), uma análise que mede a absorção de glicose, e imagens de ressonância magnética (MRI, sigla em inglês), que medem o volume cerebral.

A combinação de dados serviu para mostrar que as idades em que o cérebro consome a maior parte dos recursos correspondem ao tempo em que o corpo se desenvolve em ritmo menor.

O apetite do cérebro por energia atinge o seu ápice por volta dos quatro anos de idade.

Segundo o estudo, com essa idade o cérebro “queima” o combustível equivalente a 66% do que é utilizado pelo resto do corpo.

Esse ritmo de consumo, que equivale a mais de 40% do total do gasto energético do corpo, termina ao redor dos cinco anos de idade, quando o cérebro utiliza o máximo de glicose.

É no período entre quatro e cinco anos de idade que o cérebro desenvolve o seu máximo de conexões nervosas, as chamadas sinapses dos neurônios, e quando os humanos aprendem muitas das coisas que serão necessárias para a sobrevivência.

Por isso as crianças crescem de forma mais lenta e são fisicamente menos ativas nessa etapa, para compensar a forte demanda por energia no cérebro, segundo os investigadores.