Dia Mundial do Asteroide tenta lembrar que Terra pode ser atingida mais uma vez

A data quer discutir as ameaças que objetos espaciais podem gerar e o que pode ser feito para impedir outro impacto

Em 30 de junho de 1908, um imenso asteroide caiu em cima da Sibéria, gerando um impacto tão poderoso que destruiu 80 milhões de árvores em uma área de 2 mil km².

Para relembrar o chamado Evento de Tunguska e alertar sobre o risco de que algo parecido pode acontecer novamente, cientistas promoveram na terça-feira (30) o primeiro Dia Mundial do Asteroide, com eventos no mundo todo explicando as ameaças que objetos espaciais podem gerar e o que pode ser feito para impedir outro impacto.

“Asteroides são o único desastre natural que nós sabemos como prevenir. Proteger nosso planeta, nossas famílias e comunidades são o objetivo do Dia do Asteroide”, afirma Grigorij Richters, cocriador da efeméride. “Asteroides nos ensinam sobre as origens da vida, mas também podem afetar o futuro de nossa espécie e vida na Terra”.

A maior parte das informações que as pessoas têm sobre asteroides vêm de filmes como Impacto Profundo ou Armageddon, ou por que elas aprenderam na escola que um asteroide causou a extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos.

Mas asteroides não são apenas material para ficção científica ou aulas sobre as eras geológicas do planeta. Em janeiro, um asteroide gigantesco passou raspando pela Terra, a 1,2 milhão de quilômetros de nosso planeta. Segundo a Nasa, esta foi a menor distância que qualquer objeto irá passar pela Terra até que o asteroide 1999 AN10 nos visite em 2027. Mas os cientistas alertam que sempre pode haver surpresas.

Em 2013, um asteroide explodiu sobre Chelyabinsk, na Rússia, criando uma bola de fogo mais brilhante do que o Sol e uma explosão tão poderosa quanto 40 bombas atômicas de Hiroshima somadas.

No começo de junho, a Nasa assinou uma acordo com a Administração Nacional de Segurança Nuclear dos Estados Unidos para que a opção nuclear possa ser usada caso astrônomos descubram que um asteroide está em rota de colisão com a Terra. A agência espacial americana monitora apenas 10% dos quase 1 milhão de asteroides no Sistema Solar com potencial para atingir a Terra, segundo a organização que promove o Dia do Asteroide.

A Agência Espacial Europeia (ESA), por sua vez, se encontrou na terça-feira com equipes de emergência da Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Romênia, Suécia e Reino Unido para discutir como lidar com a ameaça de asteroides. A ESA também apresentou o projeto de um sistema de “impacto cinético”, que usaria lasers para desviar a trajetória de asteróides.

“Planetas não podem nos atingir, enquanto restos de cometas não conseguem passar por nossa estratosfera. Mas asteroides, que nada mais são do que pedaços de pedra ou metal, chegam aos milhares todos os dias, e são responsáveis por quase todos os 50 mil meteoritos catalogados”, afirma Bob Berman, astrônomo do Slooh, um observatório que disponibiliza online o material registrado por seu telescópio robótico. “Observar os maiores asteroides é fascinante, mas os mais perigosos precisam ser monitorados enquanto as defesas corretas estão sendo preparadas.”

O Dia Mundial do Asteroide foi criado em dezembro de 2014, por Brian May, guitarrista do Queen e astrofísico, ao lado do cientista Bill Nye e de Martin Rees, o Astrônomo Real do Reino Unido. Três astronautas, Rusty Schweickhart, Ed Lu e Tom Jones também fazem parte da equipe de fundadores. Em sua declaração de inauguração, o grupo afirma que o objetivo da data é garantir a sobrevivência das gerações futuras.

Nesse sentido, o grupo também anunciou a Declaração 100X, que pede que a detecção e monitoramento de asteroides sejam melhorados na escala de 100.

“Quanto mais aprendermos sobre o impacto de asteroides, irá ficar mais claro que a raça humana está aqui de passagem”, afirma May. “O Dia do Asteroide e a Declaração 100X são formas do público tomar conhecimento de que podemos ser atingidos a qualquer momento. Uma cidade pode ser apagada apenas porque não sabemos direito o que está lá fora.”

Mas para entender a ameaça, cientistas precisam saber como os asteroides se comportam. Várias agências espaciais estão planejando missões para estudar asteroides.

A Nasa anunciou em março que planeja enviar uma missão durante a década de 2020 que irá retirar um pedaço da superfície de um asteroide para que ela seja estudada por astronautas. Uma missão similar foi lançada no ano passado pelo Japão.

Os asteroides também são vistos como uma oportunidade de negócios. Um projeto (apoiado por Larry Page e Eric Schimdt, CEO e presidente do Google, respectivamente, e o cineasta James Cameron) quer construir robôs que retirem minerais como platina e ouro dos corpos celestes que passarem próximos da Terra.