Curitibano vence concurso para nova estação na Antártida

Base de pesquisa científica do País na Antártida, a Estação Comandante Ferraz foi destruída por um incêndio em fevereiro do ano passado, que deixou dois mortos

Rio de Janeiro – O primeiro colocado no concurso realizado para definir o projeto da nova Estação Antártica Comandante Ferraz foi o arquiteto curitibano Fabio Henrique Faria, de 25 anos. O resultado foi anunciado na noite de segunda-feira, 15, pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e pela Marinha.

Formado em 2010, Faria assina o projeto com a equipe do Estúdio 41, integrada por arquitetos que conheceu na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Além de três coautores, o trabalho teve a participação de 8 consultores e 6 colaboradores. Foram entregues 74 projetos para disputar o concurso, lançado em janeiro. Base de pesquisa científica do País na Antártida, a Estação Comandante Ferraz foi destruída por um incêndio em fevereiro do ano passado, que deixou dois militares mortos.

Para Faria, o diferencial de seu projeto é a solução estrutural e a simplicidade de execução. São dois blocos paralelos marcantes, com as extremidades envidraçadas e revestimento externo de chapas de aço pintadas de azul petróleo. “A gente buscou trabalhar com uma seção transversal padrão que se repete por toda a estação”, diz o arquiteto. O edital do concurso exige que a estação seja fabricada no Brasil em módulos, que depois serão levados para montagem no continente antártico.

Para o júri definido pelo IAB, o projeto apresenta “composição formal ao mesmo tempo singela e marcante”. “A proposta é compacta, sem deixar de responder à setorização funcional”. O júri, no entanto, recomenda que seja revista a distribuição dos ambientes no setor social, para melhorar a circulação. Outra recomendação é que seja reavaliado o posicionamento da casa de máquinas.

Foi destacada ainda a “racionalidade construtiva e o potencial dos vãos sobre e sob o conjunto de módulos para uso técnico (dutos, etc.)”. O projeto prevê o uso de fontes renováveis de energia. Haverá laboratórios, rede avançada de comunicações e segurança, biblioteca, academia de ginástica, lan house e centro cirúrgico. O vencedor recebeu um prêmio R$ 100 mil, que representa um adiantamento do contrato de R$ 5,1 milhões para realizar o projeto executivo. A construção deve custar entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões, disse o contra-almirante Marcos Silva Rodrigues. “Pretendemos fazer a licitação em breve e começar a obra em novembro. Acreditamos que estará pronta no fim de 2014.” Com área total de 3,2 mil metros quadrados e capacidade para até 64 pessoas, a estação será reconstruída no mesmo local da anterior.