Cuba quer aumentar exportação de médicos

Quase 40.000 médicos cubanos estão presentes em 66 países da América Latina, Ásia e África

Havana – Cuba prevê aumentar sua exportação de médicos, principal fonte de divisas, cobrando por seus serviços aos países que podem pagar, mas enviando-os de graça às nações mais pobres.

“A exportação de serviços se tornou a principal fonte de ingressos em divisas para o país e tem grande potencial para continuar a crescer”, destaca o ministro do Comércio Exterior, Rodrigo Malmierca.

Quase 40.000 médicos cubanos estão presentes em 66 países da América Latina, Ásia e África, aos quais poderiam se somar mais 6.000 profissionais que o Brasil pretende contratar para suprir seu déficit de pessoal.

A exportação de serviços – principalmente da saúde, mas também da educação e esporte – arrecada 6 bilhões de dólares ao ano, acima do turismo e dos impostos familiares (2,5 bilhões) e das vendas de níquel (1,1 bilhão).

Desta forma, o governo de Raúl Castro decidiu manter as missões médicas, iniciadas por seu irmão Fidel em 1998, e busca ampliar o número de países que pagam por seus serviços. Atualmente, 40 países recebem essas missões gratuitamente.

“Aos países que não podem pagar os serviços médicos manteremos a ajuda solidária, como é o caso do Haiti”, indicou o ministro da Saúde, Roberto Morales.


Entre os 26 países que pagam, o principal é a Venezuela e com esses recursos “compensamos os gastos em outras nações” e uma parte se destina a “melhorar a qualidade dos serviços de saúde e as condições de trabalho dos profissionais do setor”, segundo Morales.

Do total pago pelos 26 países, a maior parte vai para o Estado cubano, que destina parte ao salário e subsídios do profissional. O governo não informa o quanto os médicos cubanos recebem em uma missão, mas o valor seria superior ao recebido na ilha, onde o salário oscila entre 25 e 41 dólares mensais.

A Venezuela paga pelo serviço de 30.000 médicos, paramédicos e outros profissionais. Além disso, fornece 100.000 barris de petróleo por dia em condições preferenciais (parte é pago em longo prazo com juros baixos).

Este intercâmbio bilateral começou há uma década e contribuiu para a saída da ilha da crise econômica dos anos 90.

Para favorecer Cuba, Caracas paga os serviços de acordo com a variação do preço do petróleo.

Aproximadamente 135.000 médicos e paramédicos cubanos prestaram serviços em outros países desde o envio da primeira missão ao Chile após o terremoto de 1960.

Em maio, Cuba registrava 38.868 trabalhadores do setor no exterior, entre eles 15.407 médicos, segundo Yiliam Jiménez, diretora da Unidade Central de Cooperação Médica.


Em 1999 Cuba criou a Escola Latino-americana de Medicina, que possui 14.263 alunos estrangeiros.

A saúde, que é gratuita em Cuba, é uma das principais conquistas do governo comunista. O setor recebeu em 2012 16% do orçamento nacional, mas continua afetado pela crise provocada pelo fim da ajuda soviética, que se manifesta na deterioração de edifícios e na escassez de insumos, equipamentos e medicamentos.

“O que compensa é que os médicos são bons, porque o estado dos hospitais é terrível”, declarou à AFP María, uma dona de casa de 58 anos.

Após a chegada de Fidel Castro ao poder em 1959, e com o fim da saúde privada, milhares de médicos migraram, o que obrigou o governo a priorizar a formação.

Com uma população de 11,1 milhões, a ilha possui 82.065 médicos, um para cada 137 habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estadísticas, um recorde mundial que permite a exportação.

Ainda sim, os médicos estão entre os profissionais com os piores salários. Um mecânico ou uma cabeleireira recebem, por exemplo, muito mais.