Computadores podem reconhecer você pelo jeito que dança, diz pesquisa

Novo software consegue identificar pessoas com base em seus movimento de dança

São Paulo – Que os computadores modernos conseguem reconhecer indivíduos não é novidade. Mas um estudo feito por pesquisadores do Centro de Pesquisa Interdisciplinar de Música da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, apontou que agora é possível identificar pessoas pelos seus movimentos de dança.

Utilizando a tecnologia de captura de movimento – a mesma utilizada para filmes animados -, os pesquisadores conseguiram descobrir sentimentos por trás dos passos de dança, como felicidade ou timidez, estado de espírito e até o nível de empatia que um indivíduo sente por outras pessoas.

Analisando 73 voluntários e suas respostas para sete gêneros musicais diferentes, – Blues, Country, Eletrônica, Jazz, Metal, Pop, Reggae e Rap – os pesquisadores conseguiram adivinhar o gênero e a pessoa por meio do aprendizado de máquina.

Em nota, Pasi Saari, analista de dados e coautor do estudo, disse que os movimentos de dança podem ser considerados formas de identificação dos indivíduos: “Parece que os movimentos de dança de uma pessoa são uma espécie de impressão digital. Cada pessoa tem uma assinatura de movimento única que permanece a mesma, independentemente do tipo de música que está sendo tocada”, comentou.

A existência da tecnologia pode se tornar um complemento para as formas existentes de identificação de indivíduos. No início do ano passado, a polícia chinesa fez um experimento similar ao usando recursos de inteligência artificial para identificar pessoas por meio da forma como elas caminham. Também na China, a companhia local Huawei usa reconhecimento facial – uma tecnologia de análise de dados baseada em inteligência artificial – para encontrar suspeitos de crimes. A empresa tem contrato com o governo da Bahia e também realiza testes no Rio de Janeiro com a mesma finalidade. 

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O relatório indica que, em 94% das vezes, o computador foi capaz de identificar o gênero musical que os participantes estavam dançando, e associá-lo ao indivíduo.

Nem todos os gêneros, no entanto, tiveram a mesma precisão: segundo Emily Carlson, principal autora do estudo, foi mais difícil distinguir os indivíduos enquanto dançavam ao som de Metal, visto que os movimentos de dança são bastante similares: “Existe uma forte associação cultural entre o Metal e certos tipos de movimento, como bater cabeça. É provável que o Metal tenha feito com que mais dançarinos se movessem de maneira semelhante, dificultando sua diferenciação”, disse. 

O software, no entanto, não estará disponível para comercialização em breve, de acordo com Carlson: “Estamos menos interessados ​​em aplicações como vigilância do que no que esses resultados nos dizem sobre a musicalidade humana. Temos muitas perguntas novas a fazer, como se nossas assinaturas de movimento permanecem as mesmas durante toda a vida útil, se podemos detectar diferenças entre culturas com base nessas assinaturas de movimento e quão bem os humanos são capazes de reconhecer indivíduos de seus movimentos de dança em comparação A maioria das pesquisas levanta mais perguntas do que respostas “, concluiu.