Comissão Baleeira endurece critérios para caça científica

Os países que caçam o animal foram contrários ao texto, assim como países africanos e do Caribe

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) aprovou nesta quinta-feira em Portoroz (Eslovênia) um texto que endurece os critérios para a caça a baleias por motivos científicos, ante as intenções do Japão de retomar a prática no Oceano Antártico.

A resolução, não vinculante, proposta pela Nova Zelândia e debatida durante a 65ª sessão da CIB, recebeu 35 votos a favor, 20 contrários e cinco abstenções.

Os países que caçam o animal (Japão, Islândia, Noruega, Rússia) foram contrários ao texto, assim como países africanos e do Caribe. Os membros da União Europeia, Estados Unidos, Austrália, vários países da América Latina, Gabão e Austrália votaram a favor.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) reconheceu em março que a caça científica de baleias por parte do Japão escondia na verdade uma atividade comercial.

O texto votado nesta quinta-feira retoma os principais argumentos da decisão da CIJ sobre a avaliação dos programas científicos de caça dos cetáceos.

Os países pediram uma análise sobre se o tamanho das mostras á “razoável” em comparação aos objetivos almejados e se estas metas podem ser alcançadas por “meios não letais”, assim como garantir que “as informações obtidas por meios letais buscam melhorar a preservação e a gestão das baleias”.

O Japão afirmou na reunião da CBI em Portoroz que não pretende caçar baleias na temporada 2014-2015 no Oceano Antártico, mas que não renuncia à caça dos cetáceos em suas águas.

Neste sentido, as autoridades nipônicas devem apresentar até o fim do ano um novo programa científico para 2015-2016 na Antártica.

“É uma decisão importante que, se for respeitada, deveria acabar com a caça ilegal de baleias em nome da ciência”, disse Aimée Leslie, da organização ecologista WWF.

De acordo com a CIB, o Japão capturou 417 baleias por motivos científicos em 2013. No total, 1.600 baleias foram caçadas no mundo no mesmo ano.