Cientistas traduzem sons emitidos por macacos

Há mais de um dialeto entre os animais, que usam sons para alertar quanto a ameaças

Cientistas do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica conseguiram entender os sons emitidos por macacos Campbell (Cercopithecus campbelli).

Analisando gravações na floresta de Tai na Costa do Marfim, constatou-se que krak é um alerta para a presença de um leopardo, enquanto hok indica que há uma águia por perto. O sufixo oo é usado para transmitir a baixa gravidade da ameça. Por exemplo, krak-oo quer dizer que é preciso ficar alerta quanto a uma ameaça terrestre, já hok-oo avisa para risco vindo do céu. Já boom significa que o ambiente é seguro no momento.

Os cientistas descobriram que há mais de um dialeto entre os macacos, uma vez que os mesmos sons foram usados de forma diferente em outra região.

Os macacos Campbell estudados na ilha de Tiwai, em Serra Leoa, usaram krak para alertar quanto à presença de uma águia. Não há leopardos na ilha de Tiwai. Os diferentes sons emitidos pelo animais da floresta de Tai se dão devido à maior variedade de ameaças. Em Tiwai, tanto faz se o som for krak ou hok, ambos referem-se a águias.

De acordo com a Scientific American, este é o primeiro estudo a tratar do significado dos sons dos macacos Campbell.

Macacos mentem – Em um estudo publicado em 2009, o antropologista Brandon Wheeler investigou a possibilidade de macacos que se alimentavam de frutas na Argentina enganarem os colegas de forma tática, o que se confirmou. Os animais emitiam alarmes falsos para que outros macacos deixassem suas frutas de lado para fugir dos (inexistentes) predadores. Além da mentira, outra possibilidade, segundo Wheeler, é que o animal esteja dizendo uma espécie de palavrão em seu dialeto, como informa a National Geographic.