Cientistas descobrem origem de sinal misterioso na Austrália

Astrônomos em um observatório australiano encontraram a razão da interferência que os intrigava havia 17 anos: um forno micro-ondas

São Paulo – Durante 17 anos, astrônomos do observatório Parkes em South Wales, Austrália, confundiram os sinais de um forno de micro-ondas (sim, o eletrodoméstico) com relâmpagos e raios da atmosfera.

Desde o início dos anos 90, os cientistas que operavam o radiotelescópio da base australiana captavam sinais misteriosos de rádio, chamados de perytons. De acordo com um relatório do observatório, os sinais são transientes de origem terrestre que duram milissegundos.

Depois de quase 20 anos, os pesquisadores descobriram no sábado, dia 9 de maio, que os perytons eram criados involuntariamente pelos funcionários ao esquentarem as suas refeições em um forno de micro-ondas do observatório.  

Um novo receptor, adquirido para captar as interferências, capturou sinais de 2.4 GHz a 5 km de distância do telescópio. Os cientistas precisaram apontar o telescópio para o forno de micro-ondas para “sentir” o sinal.  

Em uma entrevista para o jornal The Guardian, Simon Johnston, diretor de astrofísica da Organização Comunitária de Pesquisa Industrial e Científica (CSIRO, sigla em inglês), disse que quando o forno de micro-ondas era configurado para aquecer, ele gerava uma interferência.

Devido aos ruídos digitais das proximidades, os astrônomos decidiram construir um novo radiotelescópio em uma área mais isolada, sem rede wi-fi, sinais de telefone ou de rádio. O objetivo deles é que o telescópio fique pronto até 2016.